16 setembro 2010

Ainda sobre a futura Câmara!

O DIAP acaba de concluir seu prognóstico para a eleição da Câmara dos Deputados neste pleito de 2010, feito com base em informações qualitativas e quantitativas.

O levantamento considerou, basicamente, seis aspectos: 1) desempenho individual do candidato (perfil, vínculos políticos, econômicos e sociais, experiência política anterior e serviços prestados), 2) trajetória e popularidade do partido, com base nas últimas cinco eleições), 3) os recursos disponíveis (financeiros e humanos, como financiadores e militantes), 4) coligações e vinculação a candidatos majoritários (senador, governador e presidente), 5) apoio governamental (máquinas municipais, estaduais e federal), e 6) coligações e candidaturas.

A metodologia adotada, com intervalo entre um número mínimo e máximo de vagas por partido, decorre, entre outros, de dois aspectos: 1) as coligações, e 2) o quociente eleitoral, que pode alterar significativamente o desempenho eleitoral das bancadas.

Desse modo, os partidos coligados podem ganhar ou perder vagas para seus parceiros, assim como a exigência de quociente eleitoral pode deixar fora da Câmara candidatos com excelente desempenho em face de o seu partido não ter ultrapassado a cláusula de barreira.

O estudo do DIAP, elaborado sob a coordenação do analista político e diretor de Documentação, Antônio Augusto de Queiroz, cuja integra vai ser colocada disponível na pagina do órgão na internet, inclui também os nomes dos candidatos com chance de eleição.

Veja o quadro comparativo com a previsão para a futura Câmara segundo dados do DIAP, do professor David Fleischer, e das consultorias Patri e Arko Advice.


PROJEÇÃO

DIAP

DAVID FLEISCHER

PATRI

ARKO ADVICE

Partido

Min.

Max.

Min.

Max.

PT

85

110

98

90

90

105

PMDB

75

100

102

104

90

100

PSDB

55

70

58

66

55

70

DEM

38

53

48

46

40

50

PR

23

40

21

31

35

42

PP

35

45

37

36

35

50

PSB

30

40

35

32

35

45

PTB

17

30

20

17

25

30

PDT

20

32

27

25

40

40

PSC

7

12

-

13

-

-

PV

10

15

-

14

18

25

PPS

15

20

14

12

10

18

PCdoB

12

18

-

12

15

20

PRB

3

8

-

5

-

-

PTC

0

5

-

-

-

-

PSol

2

6

-

-

-

-

PMN

2

4

-

-

-

-

PHS

0

3

-

-

-

-

PTdoB

0

3

-

-

-

-

PRP

0

1

-

-

-

-

PRTB

0

2

-

-

-

-

PSDC

0

2

-

-

-

-

PTN

0

1

-

-

-

-

PSL

0

2

-

-

-

-

Outros

-

-

-

10

-

-

Fonte: Diap

13 setembro 2010

Expectativa de renovação da Câmara dos Deputados!


Nas eleições de outubro, cerca de 200 dos 420 deputados que concorrem à reeleição não devem garantir a vaga na Câmara dos Deputados em 2011. Levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) prevê que o índice de renovação da Câmara deve continuar alto, em torno dos 40%, mas tende a ser inferior à média de 50% registrada nas últimas cinco eleições.

"As vantagens da eleição daqueles que já estão no cargo, o alto custo da campanha e a má imagem do Parlamento contribuem para que a renovação seja menor em 2010 do que a média histórica, mas ainda é um índice muito elevado em relação ao dos outros parlamentos", avalia o analista político do Diap, Antonio Augusto de Queiroz.

Essa alta rotatividade, no entanto, não significa renovação política. "Quem vai ocupar essas novas vagas na Câmara não serão pessoas sem experiência no poder, mas ex-secretários, ex-ministros e ex-deputados. Dessa forma, trata-se apenas de uma circulação no poder", acredita Queiroz.

Embora a renovação quantitativa seja inferior à média, Queiroz avalia que haverá uma mudança de comportamento dos parlamentares, em razão da Lei da Ficha Limpa (LC 135/10). "Ainda que sejam as mesmas pessoas, elas terão de agir de maneira diferente em relação à transparência, à fiscalização. A Ficha Limpa teve um papel estratégico nessa mudança cultural, de modo que o próximo Congresso seguramente será melhor do que o atual", prevê.

Ambição e desistência O número de deputados candidatos à reeleição neste ano caiu em relação a 2006. São 420 deputados que buscam a reeleição em 2010, contra 445 em 2006. Em compensação, o número de deputados candidatos a cargos majoritários no sistema político brasileiro, no Senado ou no Executivo, aumentou 66% em comparação com 2006.

O número de deputados que buscam uma vaga no Senado dobrou: 32 se candidataram ao Senado em 2010, enquanto apenas 16 pleitearam o mesmo cargo em 2006. Para o assessor do Diap, além da oferta maior de vagas no Senado em 2010, a expectativa de que a renovação entre os senadores seja maior motiva a busca dos deputados pelo Senado.

"Muitos senadores desistiram de se recandidatar, e aqueles que buscam a reeleição terão dificuldade em renovar os seus mandatos. Por isso, acredito que o índice de deputados eleitos senadores em 2010 será significativo, correspondente ao mesmo número de ex-governadores", disse Queiroz.

Também aumentou o número de deputados que desistiu de se candidatar a qualquer cargo. Foram 22 deputados em 2006 e, agora, são 32. Segundo Antônio Augusto de Queiroz, os desistentes podem ser divididos em dois grupos: a maioria são parlamentares que não teriam condições de se reeleger e, por isso, desistiram; e existe um grupo que desistiu do Congresso pela má imagem do Parlamento.

"Existem nomes com influência, como os deputados Ibsen Pinheiro, Fernando Coruja e Roberto Magalhães, que desistiram de se candidatar por conta do alto custo da campanha e porque não se sentiram estimulados a permanecer no Congresso", avaliou. (Fonte: Agência Câmara)

10 setembro 2010

Perguntas que o PSDB terá que responder no futuro!

A provável derrota do PSDB na corrida presidencial exigirá algum tipo de reflexão interna no partido. Não acredito que seja necessário falar de “refundação”, tendo em vista que os tucanos podem aumentar o número de estados governados, manterá o mesmo tamanho da bancada no Senado e sofrerá apenas uma pequena redução na Câmara dos Deputados.


Mas será necessário tratar de questões que hoje são tidas como “gargalos” para o futuro dos tucanos.

(i) O PSDB conseguirá se nacionalizar, ou seja, deslocar o eixo de comando do partido para fora de São Paulo?

(ii) Quem liderará esse processo? Aécio ou Alckmin?

(iii) Qual o tipo de oposição que o PSDB realizará em um eventual governo Dilma?

(iv) A parceria com o DEM será mantida?

(v) O partido tentará se aproximar do PT, como Aécio tentou fazer em Minas?

08 setembro 2010

Risco de mexicanização?

As últimas pesquisas nacionais e estaduais mostram uma aparente concentração de poder no Brasil em todos os níveis observados: eleição de Dilma, hegemonia de PT e PMDB no Congresso Nacional e a maioria absoluta de mandatários estaduais governistas.

Para alguns analistas (o mais proeminente é o cientista político Bolívar Lamounier), essa situação sugere que o Brasil estaria caminhando para um processo de “mexicanização”, ou seja, que estaríamos próximos de um regime de partido único garantido por meio da supressão da oposição. No caso do México, essa situação política durou entre 1929 e 2000.

Se um dia estivemos próximos de nos tornarmos politicamente parecidos com os mexicanos, isso aconteceu em 1986 quando o PMDB que, impulsionado pelo sucesso momentâneo do plano Cruzado, elegeu todos os governadores de estado do Brasil, com a exceção de Sergipe, vencido pelo velho PFL.

O primeiro ponto de distanciamento entre Brasil e México é o fato de que naquele país, o regime de partido único era mantido por meio de fraudes eleitorais e violência. Certamente, esse não é nosso caso frente ao profundo enraizamento que a democracia competitiva possui entre nós.

Deve-se lembrar que mesmo na ditadura brasileira, o processo eleitoral funcionava com relativa transparência (o governo tentava mudar os resultados a partir da manipulação das regras e não por meio de fraudes). E em 1986, o PMDB também não tentou lançar mão da violência e da reengenharia institucional para impedir o surgimento de novos atores e partidos políticos. Fizeram o oposto. Criaram uma constituição liberal que permite o surgimento livre de novas legendas (até de forma exagerada).

Além disso, a concentração de poder é apenas aparente. PT, PMDB, PP, PR e outras legendas que compõem a base governista não formam um bloco monolítico. Pelo contrário. Trata-se de uma composição heterogênea que precisa ser renegociada a todo momento.

O Brasil possui outras divisões que impedem a concentração de poder. Além da dimensão partidária, existe a face federativa e a tripartição dos poderes que funcionam como sistemas efetivos de pesos e contra-pesos, freando eventuais impulsos imperiais do partido que eventualmente estiver à frente da presidência da República.

Por fim, não é verdade que os eleitores estejam oferecendo uma carta branca à Dilma e ao PT. Há sim uma manifestação em torno de um marco de políticas públicas que permanece mais ou menos o mesmo desde os anos FHC. Eles combinam estabilidade fiscal/monetária, políticas sociais constitucionalizadas (SUS, conselhos comunitários, etc.) e variam na adoção de programas específicos e da existência/atuação de empresas estatais.

Não há razões para acreditar que isso vá mudar, nem que o jogo político/eleitoral/partidário vá sofrer uma repressão abrupta. Portanto, o Brasil está politicamente longe do velho México.

06 setembro 2010

PSDB: o novo DEM?


Para tucanos "originais", PSDB deve ser refundado

BRENO COSTA DA FOLHA DE SÃO PAULO

O PSDB terá que ser reformulado, independentemente do resultado das eleições. Essa é a opinião consensual de fundadores tucanos ouvidos pela Folhae que seguem filiados ao partido 22 anos depois de seu nascimento.

Ao mesmo tempo em que elogiam José Serra como candidato à Presidência, os ouvidos concordam que o partido perdeu a essência, curtida na social-democracia europeia.

Hoje, dos 109 fundadores, apenas Fernando Henrique Cardoso e Pimenta da Veiga, além de Serra, ainda compõem o conselho político nacional do partido.

Existe consenso entre os entrevistados de que a perspectiva de ver seu principal antagonista no cenário político, o PT, chegar a pelo menos 12 anos seguidos no poder é fruto de erros cometidos pelos próprios tucanos.

Mesmo a conquista da Presidência, considerada prematura, com apenas seis anos de fundação, entra na lista de fatores que contribuíram para uma desconfiguração da unidade do partido.

"A experiência de governo contribuiu para agregar muitos novos filiados que já não partilhavam tanto daquela unidade doutrinária e ideológica que embasou a fundação", diz o ex-chefe de gabinete de FHC, José Lucena Dantas, hoje assessor de Tasso Jereissati (PSDB-CE).

O deputado estadual Carlos Mosconi (PSDB-MG) vê um "envaidecimento" do tucanato ao chegar no poder.

"O partido não se preocupou em crescer com seus princípios. Ficou mais aliancista", diz Mosconi, ex-presidente do partido e quatro vezes deputado federal.

Nesse sentido, o PSDB também acabou perdendo, nas palavras de João Gilberto Lucas Coelho, ex-vice-governador do Rio Grande do Sul e por três vezes deputado federal, o "debate ideológico" com o PT.

"O PSDB foi apresentado como símbolo da direita brasileira pelo PT e não conseguiu vencer isso", afirma.

O fator popularidade de Lula entra, em parte, na conta de uma oposição feita de forma equivocada, em que êxitos da era FHC foram escondidos. "Nós somos ruins de oposição. A verdade é essa", afirma Mosconi.

Na avaliação de Euclides Scalco, ex-secretário-geral da Presidência e um dos expoentes da fundação tucana, em 1988, outro efeito até hoje sentido pelos oito anos de poder foi a ausência de uma militância forte nos Estados.

"Ganhe ou perca, o partido vai ter que se reformular, com base em novas lideranças", afirma Scalco.

O ex-presidente da Assembleia Legislativa de SP Luiz Benedicto Máximo cita também a necessidade de definição de "diretrizes claras". "Se não se refundar, vai ficar no marasmo, apenas com lideranças regionais", afirma.

Um obstáculo para esse movimento de "refundação" é outro defeito atual do partido, segundo os tucanos: falta de um debate interno mais aberto. "Não somos muito afeitos a conversar internamente", diz Mosconi.

02 setembro 2010

Virada no DF!

A virada de Agnelo foi fortemente influenciada pela lei ficha limpa. Mesmo que Roriz não desista da canddiatura, seus eleitores e apoiadores não estão mais seguros acerca da sua viabilidade.

Dessa forma, estratégicamente, votar em Roriz passa a ser uma aposta de alto risco, pois forte possibilidade desse voto ser cassado. Como o brasileiro não gosta de desperdiçar voto, o cenários torna-se muito favorável ao candidato do PT. (Veja os dados da corrida eleitoral. A fonte é a empresa de pesquisa do jornal Correio Braziliense).



27 agosto 2010

A "cristianização" de Serra!

As semelhanças entre Cristiano Machado (foto) e Serra vão além da calvice...

As últimas pesquisas desanimaram de vez os apoiadores de Serra. Muitos escondem o nome do presidenciável tucano em seu material de campanha, abandonando o barco muito antes da votação.

O cenário de abandono de Serra pelos próprios aliados fez com que alguns analistas afirmassem que o tucano está sendo “cristianizado”.

Longe de ter uma conotação religiosa, a utilização do termo faz referência a um episódio da história política brasileira.

Na eleição presidencial de 1950, o político mineiro Cristiano Machado (1893-1953) lançou sua candidatura à presidente da República pelo PSD – Partido Social Democrático – maior legenda da época.

Entretanto, a proximidade da vitória de Getúlio Vargas ( que concorria pelo velho PTB) fez com que o PSD em peso abandonasse Machado em apoio a Vargas. Portanto, quando se diz em política que alguém está sendo cristianizado, isso significa que esse candidato está sendo deixado pelos próprios companheiros.

25 agosto 2010

Frase do ano!



'Tenho a coragem de fazer o que nem o PSDB é capaz: dar crédito a FHC', diz Marina Silva!



Para quem estiver em Brasília!

Vox Populi X Datafolha!

Falando em debate, Marcos Coimbra, do instituto Vox Populi foi à forra e criticou fortemente o Datafolha em artigo publicado hoje em vários jornais impressos.

O motivo é o seguinte: enquanto o Vox Populi já mostra há muito tempo o distanciamento constante entre Dilma e Serra, o Datafolha insistia em uma sistuação de empate técnico. Essa situação durou até a publicação da sua última pesquisa Datafolha que, de supetão, colocou a petista muito à frente do tucano.

Essa discrepância estava criando especulações quanto à "petetização" do Vox Populi ou a "tucanização" do Datafolha.

Coimbra não deixou barato e criticou muito a recente guinada registrada pelo Datafolha. Segundo ele, o instituto paulista demorou muito para mostrar o cenário de crescimento de Dilma e agora busca se justificar... leiam o texto de Coimbra abaixo. Destaquei os trechos mais incisivos.

Marcos Coimbra: a "disparada" de Dilma e o vexame do Datafolha

Pesquisas nas quais não se pode confiar são um problema. Elas atrapalham o raciocínio. É melhor não ter pesquisa nenhuma que tê-las. Ao contrário de elucidar e ajudar a tomada de decisões, confundem. Quem se baseia nelas, embora ache que faz a coisa certa, costuma meter os pés pelas mãos.

Por Marcos Coimbra*, no Correio Braziliense

Isso acontece em todas as áreas em que são usadas. Nos estudos de mercado, dá para imaginar o prejuízo que causam? Se uma empresa se baseia em uma pesquisa discutível na hora de fazer um investimento, o custo em que incorre?

Na aplicação das pesquisas na política, temos o mesmo. Ainda mais nas eleições, onde o tempo corre depressa. Não dá para reparar os erros a que elas conduzem.

Pense-se o que seria a formulação de uma estratégia de campanha baseada em pesquisas de qualidade duvidosa. Por mais competente que fosse o candidato, por melhores que fossem suas propostas, uma candidatura mal posicionada não iria a lugar nenhum.

Com a comunicação é igual. Boas pesquisas são um insumo para a definição de linhas de comunicação que aumentam a percepção dos pontos fortes de uma candidatura e que explicam suas deficiências. As incertas podem fazer que um bom candidato se torne um perdedor.

E na imprensa? Nela, talvez mais que em qualquer outra área, essas pesquisas são danosas. Ao endossá-las, os veículos ficam em posição delicada.

A primeira página

Neste fim de semana, a Folha de S.Paulo divulgou a pesquisa mais recente do Datafolha. Os problemas começaram na manchete, que se utilizava de uma expressão que os bons jornais aposentaram faz tempo: “Dilma dispara...”. “Dispara..”, “afunda...” são exemplos do que não se deve dizer na publicação de pesquisas. São expressões antigas, sensacionalistas.

Compreende-se, no entanto, a dificuldade do responsável pela primeira página. O que dizer de um resultado como aquele, senão que mostraria uma “disparada”?

Como explicar que Dilma tivesse crescido 18 pontos em 27 dias, saindo de uma desvantagem para Serra de um ponto, em 23 de julho, para 17 pontos de frente, em 20 de agosto? Que ganhasse 24 milhões de eleitores no período, à taxa de quase um milhão ao dia? Que crescesse 9 pontos em uma semana, entre 12 e 20 de agosto, apenas nela conquistando 12,5 milhões de novos eleitores?

O jornal explicou a “disparada” com uma hipótese fantasiosa: Dilma cresceu esses 9 pontos pelo “efeito televisão”. Três dias de propaganda eleitoral (nos quais a campanha Dilma teve dois programas e cinco inserções de 30 segundos em horário nobre), nunca teriam esse impacto, por tudo que conhecemos da história política brasileira.

Aliás, a própria pesquisa mostrou que Dilma tem mais potencial de crescimento entre quem não vê a propaganda eleitoral. Ou seja: a explicação fornecida pelo jornal não explica a “disparada” e ele não sabe a que atribuí-la. Usou a palavra preparando uma saída honrosa para o instituto, absolvendo-o com ela: foi tudo uma “disparada”.

É impossível explicar a “disparada” pela simples razão de que ela não aconteceu. Dilma só deu saltos espetaculares para quem não tinha conseguido perceber que sua candidatura já havia crescido. Ela já estava bem na frente antes de começar a televisão.

Mas as pesquisas problemáticas não são danosas apenas por que ensejam explicações inverossímeis. O pior é que elas podem ajudar a cristalizar preconceitos e estereótipos sobre o país que somos e o eleitorado que temos.

Ao afirmar que houve uma “disparada”, a pesquisa sugere uma volubilidade dos eleitores que só existe para quem acha que 12,5 milhões de pessoas decidiram votar em Dilma de supetão, ao vê-la alguns minutos na televisão. Que não acredita que elas chegaram a essa opção depois de um raciocínio adulto, do qual se pode discordar, mas que se deve respeitar. Que supõe que elas não sabiam o que fazer até aqueles dias e foram tocadas por uma varinha de condão.

Pesquisas controversas são inconvenientes até por isso: ao procurar legitimá-las, a emenda fica pior que o soneto. Mais fácil é admitir que fossem apenas ruins.

* Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi