16 setembro 2010

Ainda sobre a futura Câmara!

O DIAP acaba de concluir seu prognóstico para a eleição da Câmara dos Deputados neste pleito de 2010, feito com base em informações qualitativas e quantitativas.

O levantamento considerou, basicamente, seis aspectos: 1) desempenho individual do candidato (perfil, vínculos políticos, econômicos e sociais, experiência política anterior e serviços prestados), 2) trajetória e popularidade do partido, com base nas últimas cinco eleições), 3) os recursos disponíveis (financeiros e humanos, como financiadores e militantes), 4) coligações e vinculação a candidatos majoritários (senador, governador e presidente), 5) apoio governamental (máquinas municipais, estaduais e federal), e 6) coligações e candidaturas.

A metodologia adotada, com intervalo entre um número mínimo e máximo de vagas por partido, decorre, entre outros, de dois aspectos: 1) as coligações, e 2) o quociente eleitoral, que pode alterar significativamente o desempenho eleitoral das bancadas.

Desse modo, os partidos coligados podem ganhar ou perder vagas para seus parceiros, assim como a exigência de quociente eleitoral pode deixar fora da Câmara candidatos com excelente desempenho em face de o seu partido não ter ultrapassado a cláusula de barreira.

O estudo do DIAP, elaborado sob a coordenação do analista político e diretor de Documentação, Antônio Augusto de Queiroz, cuja integra vai ser colocada disponível na pagina do órgão na internet, inclui também os nomes dos candidatos com chance de eleição.

Veja o quadro comparativo com a previsão para a futura Câmara segundo dados do DIAP, do professor David Fleischer, e das consultorias Patri e Arko Advice.


PROJEÇÃO

DIAP

DAVID FLEISCHER

PATRI

ARKO ADVICE

Partido

Min.

Max.

Min.

Max.

PT

85

110

98

90

90

105

PMDB

75

100

102

104

90

100

PSDB

55

70

58

66

55

70

DEM

38

53

48

46

40

50

PR

23

40

21

31

35

42

PP

35

45

37

36

35

50

PSB

30

40

35

32

35

45

PTB

17

30

20

17

25

30

PDT

20

32

27

25

40

40

PSC

7

12

-

13

-

-

PV

10

15

-

14

18

25

PPS

15

20

14

12

10

18

PCdoB

12

18

-

12

15

20

PRB

3

8

-

5

-

-

PTC

0

5

-

-

-

-

PSol

2

6

-

-

-

-

PMN

2

4

-

-

-

-

PHS

0

3

-

-

-

-

PTdoB

0

3

-

-

-

-

PRP

0

1

-

-

-

-

PRTB

0

2

-

-

-

-

PSDC

0

2

-

-

-

-

PTN

0

1

-

-

-

-

PSL

0

2

-

-

-

-

Outros

-

-

-

10

-

-

Fonte: Diap

13 setembro 2010

Expectativa de renovação da Câmara dos Deputados!


Nas eleições de outubro, cerca de 200 dos 420 deputados que concorrem à reeleição não devem garantir a vaga na Câmara dos Deputados em 2011. Levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) prevê que o índice de renovação da Câmara deve continuar alto, em torno dos 40%, mas tende a ser inferior à média de 50% registrada nas últimas cinco eleições.

"As vantagens da eleição daqueles que já estão no cargo, o alto custo da campanha e a má imagem do Parlamento contribuem para que a renovação seja menor em 2010 do que a média histórica, mas ainda é um índice muito elevado em relação ao dos outros parlamentos", avalia o analista político do Diap, Antonio Augusto de Queiroz.

Essa alta rotatividade, no entanto, não significa renovação política. "Quem vai ocupar essas novas vagas na Câmara não serão pessoas sem experiência no poder, mas ex-secretários, ex-ministros e ex-deputados. Dessa forma, trata-se apenas de uma circulação no poder", acredita Queiroz.

Embora a renovação quantitativa seja inferior à média, Queiroz avalia que haverá uma mudança de comportamento dos parlamentares, em razão da Lei da Ficha Limpa (LC 135/10). "Ainda que sejam as mesmas pessoas, elas terão de agir de maneira diferente em relação à transparência, à fiscalização. A Ficha Limpa teve um papel estratégico nessa mudança cultural, de modo que o próximo Congresso seguramente será melhor do que o atual", prevê.

Ambição e desistência O número de deputados candidatos à reeleição neste ano caiu em relação a 2006. São 420 deputados que buscam a reeleição em 2010, contra 445 em 2006. Em compensação, o número de deputados candidatos a cargos majoritários no sistema político brasileiro, no Senado ou no Executivo, aumentou 66% em comparação com 2006.

O número de deputados que buscam uma vaga no Senado dobrou: 32 se candidataram ao Senado em 2010, enquanto apenas 16 pleitearam o mesmo cargo em 2006. Para o assessor do Diap, além da oferta maior de vagas no Senado em 2010, a expectativa de que a renovação entre os senadores seja maior motiva a busca dos deputados pelo Senado.

"Muitos senadores desistiram de se recandidatar, e aqueles que buscam a reeleição terão dificuldade em renovar os seus mandatos. Por isso, acredito que o índice de deputados eleitos senadores em 2010 será significativo, correspondente ao mesmo número de ex-governadores", disse Queiroz.

Também aumentou o número de deputados que desistiu de se candidatar a qualquer cargo. Foram 22 deputados em 2006 e, agora, são 32. Segundo Antônio Augusto de Queiroz, os desistentes podem ser divididos em dois grupos: a maioria são parlamentares que não teriam condições de se reeleger e, por isso, desistiram; e existe um grupo que desistiu do Congresso pela má imagem do Parlamento.

"Existem nomes com influência, como os deputados Ibsen Pinheiro, Fernando Coruja e Roberto Magalhães, que desistiram de se candidatar por conta do alto custo da campanha e porque não se sentiram estimulados a permanecer no Congresso", avaliou. (Fonte: Agência Câmara)

10 setembro 2010

Perguntas que o PSDB terá que responder no futuro!

A provável derrota do PSDB na corrida presidencial exigirá algum tipo de reflexão interna no partido. Não acredito que seja necessário falar de “refundação”, tendo em vista que os tucanos podem aumentar o número de estados governados, manterá o mesmo tamanho da bancada no Senado e sofrerá apenas uma pequena redução na Câmara dos Deputados.


Mas será necessário tratar de questões que hoje são tidas como “gargalos” para o futuro dos tucanos.

(i) O PSDB conseguirá se nacionalizar, ou seja, deslocar o eixo de comando do partido para fora de São Paulo?

(ii) Quem liderará esse processo? Aécio ou Alckmin?

(iii) Qual o tipo de oposição que o PSDB realizará em um eventual governo Dilma?

(iv) A parceria com o DEM será mantida?

(v) O partido tentará se aproximar do PT, como Aécio tentou fazer em Minas?

08 setembro 2010

Risco de mexicanização?

As últimas pesquisas nacionais e estaduais mostram uma aparente concentração de poder no Brasil em todos os níveis observados: eleição de Dilma, hegemonia de PT e PMDB no Congresso Nacional e a maioria absoluta de mandatários estaduais governistas.

Para alguns analistas (o mais proeminente é o cientista político Bolívar Lamounier), essa situação sugere que o Brasil estaria caminhando para um processo de “mexicanização”, ou seja, que estaríamos próximos de um regime de partido único garantido por meio da supressão da oposição. No caso do México, essa situação política durou entre 1929 e 2000.

Se um dia estivemos próximos de nos tornarmos politicamente parecidos com os mexicanos, isso aconteceu em 1986 quando o PMDB que, impulsionado pelo sucesso momentâneo do plano Cruzado, elegeu todos os governadores de estado do Brasil, com a exceção de Sergipe, vencido pelo velho PFL.

O primeiro ponto de distanciamento entre Brasil e México é o fato de que naquele país, o regime de partido único era mantido por meio de fraudes eleitorais e violência. Certamente, esse não é nosso caso frente ao profundo enraizamento que a democracia competitiva possui entre nós.

Deve-se lembrar que mesmo na ditadura brasileira, o processo eleitoral funcionava com relativa transparência (o governo tentava mudar os resultados a partir da manipulação das regras e não por meio de fraudes). E em 1986, o PMDB também não tentou lançar mão da violência e da reengenharia institucional para impedir o surgimento de novos atores e partidos políticos. Fizeram o oposto. Criaram uma constituição liberal que permite o surgimento livre de novas legendas (até de forma exagerada).

Além disso, a concentração de poder é apenas aparente. PT, PMDB, PP, PR e outras legendas que compõem a base governista não formam um bloco monolítico. Pelo contrário. Trata-se de uma composição heterogênea que precisa ser renegociada a todo momento.

O Brasil possui outras divisões que impedem a concentração de poder. Além da dimensão partidária, existe a face federativa e a tripartição dos poderes que funcionam como sistemas efetivos de pesos e contra-pesos, freando eventuais impulsos imperiais do partido que eventualmente estiver à frente da presidência da República.

Por fim, não é verdade que os eleitores estejam oferecendo uma carta branca à Dilma e ao PT. Há sim uma manifestação em torno de um marco de políticas públicas que permanece mais ou menos o mesmo desde os anos FHC. Eles combinam estabilidade fiscal/monetária, políticas sociais constitucionalizadas (SUS, conselhos comunitários, etc.) e variam na adoção de programas específicos e da existência/atuação de empresas estatais.

Não há razões para acreditar que isso vá mudar, nem que o jogo político/eleitoral/partidário vá sofrer uma repressão abrupta. Portanto, o Brasil está politicamente longe do velho México.

06 setembro 2010

PSDB: o novo DEM?


Para tucanos "originais", PSDB deve ser refundado

BRENO COSTA DA FOLHA DE SÃO PAULO

O PSDB terá que ser reformulado, independentemente do resultado das eleições. Essa é a opinião consensual de fundadores tucanos ouvidos pela Folhae que seguem filiados ao partido 22 anos depois de seu nascimento.

Ao mesmo tempo em que elogiam José Serra como candidato à Presidência, os ouvidos concordam que o partido perdeu a essência, curtida na social-democracia europeia.

Hoje, dos 109 fundadores, apenas Fernando Henrique Cardoso e Pimenta da Veiga, além de Serra, ainda compõem o conselho político nacional do partido.

Existe consenso entre os entrevistados de que a perspectiva de ver seu principal antagonista no cenário político, o PT, chegar a pelo menos 12 anos seguidos no poder é fruto de erros cometidos pelos próprios tucanos.

Mesmo a conquista da Presidência, considerada prematura, com apenas seis anos de fundação, entra na lista de fatores que contribuíram para uma desconfiguração da unidade do partido.

"A experiência de governo contribuiu para agregar muitos novos filiados que já não partilhavam tanto daquela unidade doutrinária e ideológica que embasou a fundação", diz o ex-chefe de gabinete de FHC, José Lucena Dantas, hoje assessor de Tasso Jereissati (PSDB-CE).

O deputado estadual Carlos Mosconi (PSDB-MG) vê um "envaidecimento" do tucanato ao chegar no poder.

"O partido não se preocupou em crescer com seus princípios. Ficou mais aliancista", diz Mosconi, ex-presidente do partido e quatro vezes deputado federal.

Nesse sentido, o PSDB também acabou perdendo, nas palavras de João Gilberto Lucas Coelho, ex-vice-governador do Rio Grande do Sul e por três vezes deputado federal, o "debate ideológico" com o PT.

"O PSDB foi apresentado como símbolo da direita brasileira pelo PT e não conseguiu vencer isso", afirma.

O fator popularidade de Lula entra, em parte, na conta de uma oposição feita de forma equivocada, em que êxitos da era FHC foram escondidos. "Nós somos ruins de oposição. A verdade é essa", afirma Mosconi.

Na avaliação de Euclides Scalco, ex-secretário-geral da Presidência e um dos expoentes da fundação tucana, em 1988, outro efeito até hoje sentido pelos oito anos de poder foi a ausência de uma militância forte nos Estados.

"Ganhe ou perca, o partido vai ter que se reformular, com base em novas lideranças", afirma Scalco.

O ex-presidente da Assembleia Legislativa de SP Luiz Benedicto Máximo cita também a necessidade de definição de "diretrizes claras". "Se não se refundar, vai ficar no marasmo, apenas com lideranças regionais", afirma.

Um obstáculo para esse movimento de "refundação" é outro defeito atual do partido, segundo os tucanos: falta de um debate interno mais aberto. "Não somos muito afeitos a conversar internamente", diz Mosconi.

02 setembro 2010

Virada no DF!

A virada de Agnelo foi fortemente influenciada pela lei ficha limpa. Mesmo que Roriz não desista da canddiatura, seus eleitores e apoiadores não estão mais seguros acerca da sua viabilidade.

Dessa forma, estratégicamente, votar em Roriz passa a ser uma aposta de alto risco, pois forte possibilidade desse voto ser cassado. Como o brasileiro não gosta de desperdiçar voto, o cenários torna-se muito favorável ao candidato do PT. (Veja os dados da corrida eleitoral. A fonte é a empresa de pesquisa do jornal Correio Braziliense).



27 agosto 2010

A "cristianização" de Serra!

As semelhanças entre Cristiano Machado (foto) e Serra vão além da calvice...

As últimas pesquisas desanimaram de vez os apoiadores de Serra. Muitos escondem o nome do presidenciável tucano em seu material de campanha, abandonando o barco muito antes da votação.

O cenário de abandono de Serra pelos próprios aliados fez com que alguns analistas afirmassem que o tucano está sendo “cristianizado”.

Longe de ter uma conotação religiosa, a utilização do termo faz referência a um episódio da história política brasileira.

Na eleição presidencial de 1950, o político mineiro Cristiano Machado (1893-1953) lançou sua candidatura à presidente da República pelo PSD – Partido Social Democrático – maior legenda da época.

Entretanto, a proximidade da vitória de Getúlio Vargas ( que concorria pelo velho PTB) fez com que o PSD em peso abandonasse Machado em apoio a Vargas. Portanto, quando se diz em política que alguém está sendo cristianizado, isso significa que esse candidato está sendo deixado pelos próprios companheiros.

25 agosto 2010

Frase do ano!



'Tenho a coragem de fazer o que nem o PSDB é capaz: dar crédito a FHC', diz Marina Silva!



Para quem estiver em Brasília!

Vox Populi X Datafolha!

Falando em debate, Marcos Coimbra, do instituto Vox Populi foi à forra e criticou fortemente o Datafolha em artigo publicado hoje em vários jornais impressos.

O motivo é o seguinte: enquanto o Vox Populi já mostra há muito tempo o distanciamento constante entre Dilma e Serra, o Datafolha insistia em uma sistuação de empate técnico. Essa situação durou até a publicação da sua última pesquisa Datafolha que, de supetão, colocou a petista muito à frente do tucano.

Essa discrepância estava criando especulações quanto à "petetização" do Vox Populi ou a "tucanização" do Datafolha.

Coimbra não deixou barato e criticou muito a recente guinada registrada pelo Datafolha. Segundo ele, o instituto paulista demorou muito para mostrar o cenário de crescimento de Dilma e agora busca se justificar... leiam o texto de Coimbra abaixo. Destaquei os trechos mais incisivos.

Marcos Coimbra: a "disparada" de Dilma e o vexame do Datafolha

Pesquisas nas quais não se pode confiar são um problema. Elas atrapalham o raciocínio. É melhor não ter pesquisa nenhuma que tê-las. Ao contrário de elucidar e ajudar a tomada de decisões, confundem. Quem se baseia nelas, embora ache que faz a coisa certa, costuma meter os pés pelas mãos.

Por Marcos Coimbra*, no Correio Braziliense

Isso acontece em todas as áreas em que são usadas. Nos estudos de mercado, dá para imaginar o prejuízo que causam? Se uma empresa se baseia em uma pesquisa discutível na hora de fazer um investimento, o custo em que incorre?

Na aplicação das pesquisas na política, temos o mesmo. Ainda mais nas eleições, onde o tempo corre depressa. Não dá para reparar os erros a que elas conduzem.

Pense-se o que seria a formulação de uma estratégia de campanha baseada em pesquisas de qualidade duvidosa. Por mais competente que fosse o candidato, por melhores que fossem suas propostas, uma candidatura mal posicionada não iria a lugar nenhum.

Com a comunicação é igual. Boas pesquisas são um insumo para a definição de linhas de comunicação que aumentam a percepção dos pontos fortes de uma candidatura e que explicam suas deficiências. As incertas podem fazer que um bom candidato se torne um perdedor.

E na imprensa? Nela, talvez mais que em qualquer outra área, essas pesquisas são danosas. Ao endossá-las, os veículos ficam em posição delicada.

A primeira página

Neste fim de semana, a Folha de S.Paulo divulgou a pesquisa mais recente do Datafolha. Os problemas começaram na manchete, que se utilizava de uma expressão que os bons jornais aposentaram faz tempo: “Dilma dispara...”. “Dispara..”, “afunda...” são exemplos do que não se deve dizer na publicação de pesquisas. São expressões antigas, sensacionalistas.

Compreende-se, no entanto, a dificuldade do responsável pela primeira página. O que dizer de um resultado como aquele, senão que mostraria uma “disparada”?

Como explicar que Dilma tivesse crescido 18 pontos em 27 dias, saindo de uma desvantagem para Serra de um ponto, em 23 de julho, para 17 pontos de frente, em 20 de agosto? Que ganhasse 24 milhões de eleitores no período, à taxa de quase um milhão ao dia? Que crescesse 9 pontos em uma semana, entre 12 e 20 de agosto, apenas nela conquistando 12,5 milhões de novos eleitores?

O jornal explicou a “disparada” com uma hipótese fantasiosa: Dilma cresceu esses 9 pontos pelo “efeito televisão”. Três dias de propaganda eleitoral (nos quais a campanha Dilma teve dois programas e cinco inserções de 30 segundos em horário nobre), nunca teriam esse impacto, por tudo que conhecemos da história política brasileira.

Aliás, a própria pesquisa mostrou que Dilma tem mais potencial de crescimento entre quem não vê a propaganda eleitoral. Ou seja: a explicação fornecida pelo jornal não explica a “disparada” e ele não sabe a que atribuí-la. Usou a palavra preparando uma saída honrosa para o instituto, absolvendo-o com ela: foi tudo uma “disparada”.

É impossível explicar a “disparada” pela simples razão de que ela não aconteceu. Dilma só deu saltos espetaculares para quem não tinha conseguido perceber que sua candidatura já havia crescido. Ela já estava bem na frente antes de começar a televisão.

Mas as pesquisas problemáticas não são danosas apenas por que ensejam explicações inverossímeis. O pior é que elas podem ajudar a cristalizar preconceitos e estereótipos sobre o país que somos e o eleitorado que temos.

Ao afirmar que houve uma “disparada”, a pesquisa sugere uma volubilidade dos eleitores que só existe para quem acha que 12,5 milhões de pessoas decidiram votar em Dilma de supetão, ao vê-la alguns minutos na televisão. Que não acredita que elas chegaram a essa opção depois de um raciocínio adulto, do qual se pode discordar, mas que se deve respeitar. Que supõe que elas não sabiam o que fazer até aqueles dias e foram tocadas por uma varinha de condão.

Pesquisas controversas são inconvenientes até por isso: ao procurar legitimá-las, a emenda fica pior que o soneto. Mais fácil é admitir que fossem apenas ruins.

* Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

Resposta de Azevedo à Safatle!

Resposta a Safatle (por Reinaldo Azevedo, da Veja).

Felipe Varella, leitor do blog, alertou que Reinaldo Azevedo, blogueiro da Veja, havia elaborado uma resposta para o texto de Safatle. Acho interessante o debate!

Mas antes, preciso fazer uma ressalva de cunho pessoal. Acho Azevedo extremamente mal educado e incapaz de conduzir um debate restrito ao campo das idéias. A estratégia dele é sempre a mesma: desqualificar seu oponente antes de entrar propriamente no debate. Talvez seja só marketing dele... mas eu não gosto!

Obrigado Felipe!!!

Vocês conhecem Vladimir Safatle, professor de filosofia da USP, embora ele não tenha importância nenhuma. Na verdade, eu contribuí um tantinho para que ele se tornasse quase célebre. Seu feito mais notável foi ter levado para o jornalismo uma espécie de justificação teórica do terrorismo. Aconteceu no dia 13 de janeiro de 2009. Numa resenha publicada no Estadão, este fazia indagações sobre a relação entre as instituições e o terrorismo. Escreveu então:
“como construir estruturas institucionais universalizantes capazes de dar conta de exigências de reconhecimento de sujeitos não-substanciais que tendem a se manifestar como pura potência disruptiva e negativa?”

Para Safatle, os terroristas, cuja existência de reconhecimento estaria dada, seriam apenas “sujeitos não-substanciais que tendem a se manifestar como pura potência disruptiva e negativa?”. Nem parece que isso mata inocentes, não é mesmo? Escrevi à época que os gases instestinais também podem ser definidos como “sujeitos não-substanciais que tendem a se manifestar como pura potência disruptiva e negativa” — especialmente quando o atentado ocorre no elevador, no cinema ou no metrô lotado.

O Estadão, de gloriosas tradições, foi o primeiro jornal brasileiro a publicar um artigo que justificava o terror como uma nova essencialidade do homem. Antes de Safatle, outro esquerdista, Octavio Ianni, já havia chamado de “revolucionária” a ação da Al Qaeda no 11 de Setembro. Mas estava claro que era só proseltimoantiamericanista da pior espécie. Safatle pretende produzir biscoito mais fino. No artigo em questão, ele alçou o terror à condição de categoria filosófica. Os pósteros hão de lhe reconhecer essa notável contribuição ao humanismo.

Safatle agora é articulista da Folha. É uma das pessoas que se revezam no jornal numa coluna diária sobre a eleição de 2010. Nesta segunda, ele escreve um artigo intitulado “O colapso do PSDB”. Ok. Quem descobriu a “potência disruptiva” do terrorismo pode decretar o “colapso” do PSDB com igual percuciência e verdade. Comentarei seus argumentos porque eles são uma síntese de boa parte das bobagens que a imprensa brasileira escreve, porém com aquela aparência de que há ali algum pensamento. Ele segue em vermelho. Eu vou de azul.

Há algo de melancólico na trajetória do PSDB. Talvez aqueles que, como eu, votaram no partido em seu início, lembrem do momento em que a então deputada conservadora Sandra Cavalcanti teve seu pedido de filiação negado. Motivo: divergência ideológica.
De fato, o PSDB nasceu, entre outras coisas, de uma tentativa de clarificação ideológica de uma parcela de históricos do MDB mais afeitos às temáticas da socialdemocracia européia.
Notem a preocupação de Safatle de demonstrar a sua isenção e a sua condição de analista não-comprometido. Ele até “votou” no partido em seu “início”. Então não venham dizer que ele é movido por qualquer forma de preconceito. O homem do “terrorismo como potência disruptiva” é apenas um analista frio, sem paixões. E, como se nota, se ATÉ ELE votava no PSDB, então o partido era mesmo bom… Santo Deus! Sim, vocês sabem que fui trotskista e assinei a ficha de filiação ao PT, no primeiro ano de existência do partido. Mas jamais usei isso para evidenciar alguma qualidade da legenda. Eu é que estava estupidamente equivocado.

Nota à margem: adoro a lambança que os nossos “inteliquituais” gostam de fazer com substantivos, tornando-os meras abstrações incapturáveis pelo mundo real. Aquele “temáticas”, assim, no plural, mereceria um pequeno tratado de linguagem, especialmente num moço que declara seu amor pela “lacanagem” — referência a Lacan, claro! A “temática” já é um conjunto de temas. As “temáticas” seriam conjuntos de conjuntos de temas, o que nos leva a supor que possa haver o conjunto de conjuntos de conjuntos de temas, numa seqüência cujo fim chegaria ao princípio: Deus!

Basta lembrarmos dos votos e discussões de um de seus líderes, Mario Covas, na constituinte. Boa parte deles iam na direção do fortalecimento dos sindicatos e da capacidade gerencial do Estado. Uma perspectiva contra a qual seu próprio partido voltou-se anos depois.
Aqui começa, vênia máxima, viu, Safatle?, a impressionante delinqüência intelectual deste rapaz. Começo apontando o truque vagabundíssimo da argumentação: exaltar os mortos para poder espicaçar os vivos. O procedimento é comum no Brasil, muito usado contra a direita: “Ah, bom era José Guilherme Merquior, não estes que andam por aí.” O Safatle faz o mesmo com o PSDB: “Ah, bom era o Covas…” Assim como o articulista usa o seu suposto passado de eleitor tucano para evidenciar a lisura de sua crítica, exalta Covas para provar que nada tem contra o partido na sua essência; ataca o que seriam os seus desvios.

Segundo Safatle, o PSDB voltou-se contra, então, o “fortalecimento dos sindicatos” e a “capacidade gerencial do Estado”. Está mentindo. No primeiro caso, digam um único caso de ação tucana contra os sindicatos nos oito anos de governo FHC. Ao contrário: infelizmente, foi na gestão tucana (e Safatle jamais criticaria tal aspecto, claro!) que os fundos de pensão, que hoje detêm o real controle do movimento sindical, se fortaleceram brutalmente. Nessa perspectiva, e um mínimo de honestidade intelectual o obrigaria a reconhecer, as privatizações contribuíram para fortalecer o sindicalismo. Eu desafio este senhor a demonstrar que estou errado.

Quanto à capacidade gerencial do Estado, quem, de fato, a fortaleceu? O governo que criou agências reguladores independentes ou aquele que as subordinou a um partido, usando esses entes para a distribuição de cargos entre os partidos da base aliada? Quem fortaleceu a capacidade gerencial do Estado? Quem sempre procurou, ao longo dos anos, submeter as suas contas a um órgão como o TCU ou quem retirou da alçada do tribunal boa parte das obras das estatais e do próprio governo federal, pretextando a “urgência”? Pois foi o que fez Lula. Quem elevou o padrão de gerenciamento do Estado? Quem exigia que o “S” do BNDES estivesse presente num projeto para garantir financiamento ou quem transformou o banco numa agência que define ganhadores e perdedores do capitalismo brasileiro?

Existe a verdade. E existe o que diz Safatle — e outros tão engajados ou tão ignorantes como ele o aplaudirão.

A história do PSDB parece ser a história do paulatino distanciamento desse impulso inicial. Ao chegarem ao poder federal, os partidos socialdemocratas que lhe serviram de modelo (como os trabalhistas ingleses e o SPD alemão) haviam começado um processo irreversível de desmonte das conquistas sociais que eles mesmos realizaram décadas atrás. Um desmonte que foi acompanhado pela absorção de suas agendas políticas por temáticas vindas da direita, como a segurança, a imigração, a diminuição da capacidade de intervenção do estado, entre outros.
Este movimento foi reproduzido pelo governo de Fernando Henrique Cardoso.
Coitado deste rapaz! Zero em redação! A argumentação nada tem a ver com a tese original e introduz um tema novo — e errado. Parece a Dilma pensando… Observem que o suposto fenômeno ocorrido com o PSDB não é, então, coisa nativa, mas um mal que teria acometido a social-democracia no mundo inteiro. Sabe-se lá por quê — seria a natural tendência do homem para o mal e para a direita??? —, os partidos identificados com essa corrente de pensamento decidiram mudar um tantinho a sua plataforma. Pois é… A Alemanha “conservadora” assistiu àquela bobagenzinha da reunificação; a Grã-Bretanha do novo trabalhismo, seguindo, sim, a trilha aberta pelos conservadores, manteve-se como economia competitiva depois de ter chegado à lona; o “socialismo” francês de Mitterrand teve de recuar para que a economia saísse do buraco; o PSOE, da Espanha, mudou, sim, e fez alguns dos atores globais do capitalismo. Safatle tem razão: essa guinada da “social-democracia” foi um desastre em escala planetária!

Assim, víamos uma geração de políticos que citavam, de dia, Marx, Gramsci, Celso Furtado e, à noite, procuravam levar a cabo o “desmonte do estado getulista”, “a quebra da sanha corporativa dos sindicatos”, ou “a defesa do Estado de direito contra os terroristas do MST”.
O mundo de Safatle é mesmo pelo avesso, não é? Eu diria que “desmontar o estado getulista” é que é coisa para se dizer de dia — e Marx e Gramsci é que poderiam ser citados à noite, nos becos sórdidos, de preferência, com uma pistola na mão… Em nenhum outro país relevante do mundo um “intelequitual” usaria citações daqueles dois para qualificar positivamente um político. A universidade brasileira — na média, claro!, há exceções — é a única no mundo em que Marx e Gramsci ainda são empregados como referências aceitáveis.

Isso não é o mais importante de todo modo. O fato é que a síntese que Safatle faz da ação tucana é falsa. Quando foi que FHC ou qualquer um de seus ministros chamou de “terroristas” as ações do MST, embora muitas delas sejam, de fato, terroristas? Nos oito anos do governo anterior, morreram menos pessoas em conflitos de terra do que nos oito anos de governo Lula. Não chamou, mas deveria ter chamado em benefício da verdade e até para se conectar com a esmagadora maioria do eleitorado, que repudia as ações do movimento. Quais? Depredação da infra-estrutura das fazendas e de laboratórios de pesquisa, derrubada de plantações, roubo de incrementos agrícolas, abate de gado. Entendo: Safatle deve achar que tudo não passa de “sujeitos não-substanciais que tendem a se manifestar como pura potência disruptiva”… É o pum do pensamento!

O resultado não foi muito diferente do que ocorreu com os partidos socialdemocratas europeus. Fracassos eleitorais se avolumaram, resultantes, principalmente, de uma esquizofrenia que os faziam ir cada vez mais à direita e, vez por outra, sentir nostalgia de traços ainda não totalmente extirpados de discursos classicamente socialdemocratas. No caso alemão, o SPD acabou prensado entre uma direita clara (CDU, FDP) e uma esquerda renovada (Die Linke).
Quanta bobagem! O paralelo é escandalosamente errado, até porque, na versão de Safate, a social-democracia foi derrotada pela direita. A menos que ele considere que o mesmo aconteceu com os tucanos no Brasil — e a direita seria o PT —, o que ele diz não faz o menor sentido.

No caso brasileiro, esta eleição demonstra tal lógica elevada ao paroxismo. Assistimos agora ao candidato do PSDB ensaiar, cada vez mais, um figurino de Carlos Lacerda bandeirante; com seu discurso pautado pela denúncia do aumento galopante da insegurança, do narcotráfico, do angelismo do governo com o terrorismo internacional das Farcs e, agora, o risco surreal de “chavismo” contra nossa democracia. Um figurino que não deixa de dar lugar, vez por outra, a uma defesa de que é de esquerda, de que recebeu palavras carinhosas de Leonel Brizola, de que vê em Lula alguém “acima do bem e do mal” etc.
Safatle, na sua esquizofrenia argumentativa — e esse moço dá aula; penso nos seus alunos… —, compara a social-democracia brasileira à européia, registrando que aquela teria sido engolida pela direita (o que é besteira) à medida que foi “endireitando” o seu discurso. No Brasil, teria acontecido o mesmo, mas, curiosamente, ela teria sido engolida pela “esquerda” (parece-me que ele considera o PT mais à esquerda do PSDB…). O mau analista não estaria completo sem o apreço pela mentira.

Quem faz o discurso do medo sobre a segurança pública é o PT em São Paulo, mentindo descaradamente sobre a realidade do Estado. Serra propôs um Ministério da Segurança, sem avançar na linguagem do terror. Quem a pratica por aqui é Mercadante. Quanto às Farc, bem, Safatle quer negar o óbvio. Mas entendo: ele acredita que precisamos mudar os nossos valores para ver com outros olhos o terrorismo. Quanto à questão chavista, está fazendo alusão ao discurso que Serra fez na Associação Nacional dos Jornais, quando acusou o governo de mobilizar o estado em favor da censura à imprensa — o que é verdade comprovada. As propostas estão redigidas. Foram parar no primeiro programa de governo de Dilma.

Mas o “inteliquitual” quer que os fatos se danem. Isso seria apenas evidência do “lacerdismo” de Serra. Reitero: esse cara dá aula; ele é, para seus alunos, uma referência de pensamento e, professor de filosofia, apego à verdade. Se o incentivo dado pelo governismo às propostas de controlar a imprensa não são o chavismo à moda da casa, então são exatamente o quê?

Nesse sentido, o caráter errático de sua campanha não é apenas um traço de seu caráter ou um problema de cálculo de marketing.
Trata-se do capítulo final da dissolução ideológica de uma sigla que só teria alguma chance se tivesse ensaiado algo que o PS francês tenta hoje: reorientação programática a partir de um discurso mais voltado à esquerda e (algo que nunca um tucano terá a coragem de fazer) autocrítica em relação a erros do passado.
Trata-se de uma bobagem em dose cavalar. Safatle ia se equilibrando sobre duas mãos, como esses ginastas capazes de fazer os membros anteriores funcionaram como os posteriores, com as pernas no ar — vale dizer, andava de ponta-cabaça. Com essa conclusão, arriou os membros posteriores e plantou os quatro no chão, gloriosamente! O Partido Socialista Francês “mudou” enquanto estava no poder — e o fez por “precisão”, não por boniteza, para lembrar Guimarães.

Quando Safatle decidir estudar em vez de disparar no jornal os seus “sujeitos não-substanciais que tendem a se manifestar como pura potência disruptiva e negativa” — vale dizer: GASES” —, vai procurar saber quem foi Jacques Delors.

Eu explico. François Mitterrand, nos primeiros anos de governo, tentou realmente empurrar a França para a esquerda, mas deu com os burros n’água. Optou, então, pelas saídas oferecidas pelo capitalismo, o que deixou a esquerda furiosa - especialmente aquela lotada na imprensa. Perguntaram a Delors, ministro das Finanças, qual era a diferença entre o que o esquerdista Miterrand fazia e o que faria a direita. Sua resposta não poderia ter sido mais, como direi?, “progressista”. Mandou ver: “A diferença em relação à direita é que nós, da esquerda, fazemos a mesma coisa, mas com dor no coração”.

Ah, sim, não me digam que fui muito duro com Safatle. Quem escreve o que ele já escreveu sobre o terrorismo merecia ainda mais dureza. Mas debatam as idéias do rapaz, ok?, até com certa generosidade. Esse Vladimir talvez estivesse destinado a ser um Lênin, mas acabou professor de filosofia da USP. Aliás, até Lênin desprezava os terroristas…

24 agosto 2010

O futuro dos tucanos...!

O colapso do PSDB (por Vladimir Safatle - extraído do jornal Folha de São Paulo)

HÁ ALGO de melancólico na trajetória do PSDB. Talvez aqueles que, como eu, votaram no partido em seu início, lembrem do momento em que a então deputada conservadora Sandra Cavalcanti teve seu pedido de filiação negado. Motivo: divergência ideológica. De fato, o PSDB nasceu, entre outras coisas, de uma tentativa de clarificação ideológica de uma parcela de históricos do MDB mais afeitos às temáticas da socialdemocracia européia. Basta lembrarmos dos votos e discussões de um de seus líderes, Mario Covas, na constituinte. Boa parte deles iam na direção do fortalecimento dos sindicatos e da capacidade gerencial do Estado. Uma perspectiva contra a qual seu próprio partido voltou-se anos depois. A história do PSDB parece ser a história do paulatino distanciamento desse impulso inicial. Ao chegarem ao poder federal, os partidos socialdemocratas que lhe serviram de modelo (como os trabalhistas ingleses e o SPD alemão) haviam começado um processo irreversível de desmonte das conquistas sociais que eles mesmos realizaram décadas atrás. Um desmonte que foi acompanhado pela absorção de suas agendas políticas por temáticas vindas da direita, como a segurança, a imigração, a diminuição da capacidade de intervenção do estado, entre outros. Este movimento foi reproduzido pelo governo de Fernando Henrique Cardoso. Assim, víamos uma geração de políticos que citavam, de dia, Marx, Gramsci, Celso Furtado e, à noite, procuravam levar a cabo o "desmonte do estado getulista", "a quebra da sanha corporativa dos sindicatos", ou "a defesa do Estado de direito contra os terroristas do MST". O resultado não foi muito diferente do que ocorreu com os partidos socialdemocratas europeus. Fracassos eleitorais se avolumaram, resultantes, principalmente, de uma esquizofrenia que os faziam ir cada vez mais à direita e, vez por outra, sentir nostalgia de traços ainda não totalmente extirpados de discursos classicamente socialdemocratas. No caso alemão, o SPD acabou prensado entre uma direita clara (CDU, FDP) e uma esquerda renovada (Die Linke). No caso brasileiro, esta eleição demonstra tal lógica elevada ao paroxismo. Assistimos agora ao candidato do PSDB ensaiar, cada vez mais, um figurino de Carlos Lacerda bandeirante; com seu discurso pautado pela denúncia do aumento galopante da insegurança, do narcotráfico, do angelismo do governo com o terrorismo internacional das Farcs e, agora, o risco surreal de "chavismo" contra nossa democracia. Um figurino que não deixa de dar lugar, vez por outra, a uma defesa de que é de esquerda, de que recebeu palavras carinhosas de Leonel Brizola, de que vê em Lula alguém "acima do bem e do mal" etc. Nesse sentido, o caráter errático de sua campanha não é apenas um traço de seu caráter ou um problema de cálculo de marketing. Trata-se do capítulo final da dissolução ideológica de uma sigla que só teria alguma chance se tivesse ensaiado algo que o PS francês tenta hoje: reorientação programática a partir de um discurso mais voltado à esquerda e (algo que nunca um tucano terá a coragem de fazer) autocrítica em relação a erros do passado.
VLADIMIR SAFATLE é professor no departamento de filosofia da USP

Para quem estiver no Rio!

A Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG), seu Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI) e o Departamento da ALADI e Integração Econômica Regional (DEIR) do Ministério das Relações Exteriores vêm pelo presente convidar Vossa Senhoria para participar Seminário sobre A Integração Latino-Americana em Foco: 50 Anos de ALALC / ALADI, no dia 27 de agosto de 2010, das 8 às 18 horas, no salão nobre da biblioteca do Palácio Itamaraty Rio de Janeiro, Av. Marechal Floriano, 196 – Centro.

O Seminário sobre A Integração Latino-Americana em Foco: 50 Anos de ALALC / ALADI reunirá destacadas personalidades políticas, acadêmicas e do setor privado para um debate, em formato de mesa-redonda, sobre o tema.

O Seminário sobre A Integração Latino-Americana em Foco: 50 Anos de ALALC / ALADI será aberto ao público interessado, com acesso livre.

Por gentileza, favor confirmar presença pelo endereço eletrônico ipri@itamaraty.gov.br e informar: nome completo, instituição, endereço e telefone.

23 agosto 2010

A ausência da direita no Brasil!

Onde estão os herdeiros da UDN?

Dividir o quadro político partidário brasileiro em espectros ideológicos nunca foi uma tarefa fácil. Há vários motivos. Mas o maior deles é a própria descontinuidade da nossa história política, repleta de golpes e movimentos que interromperam o “desenvolvimento natural” das agremiações.

Outro aspecto importante é o fato de que as principais questões discutidas recentemente no Brasil transpassam as matrizes ideológicas de forma não muito clara. O principal exemplo é o programa de privatizações realizado recentemente: uma política tipicamente liberal, mas empreendida por um partido social-democrata.

Entretanto, a ausência de um partido de direita/conservador no atual debate presidencial também é fruto de opções estratégicas feitas pelos principais partidos que poderiam ocupar esse espaço.

Por um lado, legendas que sustentavam posições mais liberalizantes e conservadoras no governo FHC como PP e PTB perderam as eleições presidenciais de 2002, mas preferiram seguir governo e mudaram de lado. Embarcaram no projeto petista e tornaram-se todos eles referências de “centro” (que a rigor, não quer dizer nada).

Por outro, o DEM, principal opção para reinar na faixa do eleitorado conservador/direitista, teima em não direcionar suas baterias para o atraente reduto. O problema é que para assumir essa identidade, seria necessário desfazer a aliança histórica que o partido construiu com o PSDB ainda em 1994.

Para preencher o espectro ideológico abandonado, seria necessário que o DEM assumisse de forma inconteste valores conservadores. Mas isso continuará sendo algo impossível enquanto ele se mantiver como parceiro/satélite do PSDB, que possui vez em quando convicções e arroubos esquerdistas. A parceria com os tucanos é ruim para o DEM do ponto de vista ideológico porque confunde o eleitor a respeito das cores reais do partido. Ele passa a não ser nem azul, nem vermelho, nem verde, nem bege...

Portanto, o Brasil não tem uma opção de direita porque os partidos que poderiam assumir esse papel preferiram continuar no governo durante a gestão petista, optando por manter uma postura “camaleão” e porque o DEM ainda não teve coragem suficiente para romper com o PSDB e alçar vôo solo.