30 junho 2010

Voltamos ao normal! Com um ótimo texto de Júlio Gushiken!

Álvaro Dias é Felipe Melo?

por Júlio Gushiken

Nas próximas horas, o DEM decide como (e se) mantém sua aliança com os tucanos. As cartas do Paraná já estão colocadas e todo peso está nos ombros do comando de campanha de Serra. Já não existe a "justificativa familiar" de não contrapor os irmãos Dias, pulverizada com a decisão de Osmar de dar palanque à Dilma e concorrer ao Palácio dasAraucárias. Aliás, essa decisão mais ajudou que atrapalhou Serra. A situação de Álvaro é que ficou dificultada.

Hoje, último dia regimental, é com um minucioso cálculo político que se realizará a convenção dos Democratas. Um de seus nomes, ou outro tucano com o carimbo dos Democratas (que não seja o de Álvaro, já fritado por Roberto Jefferson) é a decisão mais acertada para Serra. O objetivo dessa escolha é esfriar os ânimos dos antigos aliados e fazer, com um pequeno desgaste, uma chapa palatável ao terreno (Centro-Oeste-Norte) onde, hoje, Dilma navega comtranquilidade.

Manter a decisão soaria como teimosia (?) comparada, à manutenção de Felipe Melo com um "banco" tão (e mais) talentoso que o contestado meia. Como disse o Senador Demóstenes Torres, amigo de Álvaro: " Igual ao Álvaro, o DEM tem mais de 20". Pensem bem, Serra e Dunga..... Álvaro ou Felipe Melo,talvez possam prosseguir capengando. Mas manter Álvaro, assim como continuar apostando no burocrático Felipe Melo, é dizer adeus ao campeonato por antecipação.

01 junho 2010

Três critérios para a escolha de um vice!

(Quem vai sentar na cadeira tucana..?)

1. Complemento de personalidade. O vice reúne características que complementam o perfil da cabeça de chapa. Ex. José Alencar representava o capital e o setor produtivo no governo comandado pelo trabalhador Lula.

2. Casamento partidário. A escolha do vice tem por objetivo principal formalizar a aliança entre dois partidos. Ex. Aliança entre PMDB e PT foi oficializada pela escolha de Temer para vice de Dilma.

3. Estratégia regional. A busca de um vice que promova o fortalecimento da chapa em uma região do país. Ex. Chapas com candidatos do sudeste e nordeste.

31 maio 2010

A importância das pesquisas e a evolução do período pré-eleitoral!

(A caravana tucana encontrou uma caminho mais difícil do que se imaginava até o Planalto)

1. Partidos utilizam pesquisas para decidirem quem apoiar na corrida presidencial. Três partidos continuam indecisos - PDT, PP e PTB. O ingresso dessas duas últimas legendas no lado tucano é considerado um passo essencial para abastecer a chapa de Serra com tempo de rádio e TV;

2. Financiadores também utilizam pesquisas para decidir quanto e para quem doar. Um desempenho ruim nesse período pode comprometer a saúde financeira da campanha;

3. Por isso PSDB entrou com ação contra o instituto Sensus quando este apontou o empate técnico entre Dilma e Serra ainda em Abril. Com essa estratégia, os tucanos colocaram a pesquisa sob suspeita e conseguiram ganhar 1 mês "extra" na liderança dos números até que os outros institutos apontassem também a igualdade entre os dois principais presidenciáveis (fato que aconteceu apenas em Maio);

4. Foi bastante tempo, mas insuficiente para "amarrar"o PP e o PTB, que agora estão indecisos e vão esperar até o último minuto para formalizarem suas decisões. Esse jogo é para quem tem nervos de aço;

5. Falando em nervos de aço, o comitê de Serra está apontando muito explicitamente que acusou o golpe das pesquisas e vários aliados já exigem do tucano uma postura mais agressiva, abandonando o clima elogioso que ele manteve com o saldo do governo Lula;

6. Na minha avaliação, se Serra atender aos desesperados, começará a enterrar sua campanha. Não há nada que ele possa fazer para reverter a tendência das pesquisas até que começar a horário na TV, apenas trabalho de bastidores e manutenção da calma. Se ele começar a fazer campanha negativa agora e comprar muitas polêmicas (como os ataques malucos à Bolívia), vai criar armadilhas para si próprio e complicar-se para 0 futuro.

25 maio 2010

Pré-análise dos pré-candidatos!!!

Em 1957, o economista americano Anthony Downs publicou um livro clássico da ciência política chamado “Uma teoria econômica da democracia”. Em um modelo simples, Downs afirmava que os eleitores são seres racionais e que escolhem opções políticas que mais se aproximam dos seus interesses, objetivos e preferências. Mais importantes do que os vínculos ideológicos, compartilhamento de valores ou de identidades sociais é o fato de que os cidadãos compreendem que parte significativa do seu bem estar advém da gestão realizada por governos. Dessa forma, eles podem oferecer seu apoio a diferentes grupos, dependendo unicamente de quem representa maiores expectativas de ganhos futuros (aumento da renda de utilidade recebida do governo por cada indivíduo, ou seja, da percepção difusa do fluxo de políticas públicas que lhe é direcionado).

No caso da eleição presidencial brasileira de 2010, o modelo de escolha eleitoral elaborado por Downs pode ser bastante útil aos analistas. O dado mais importante de todo o processo eleitoral é o grau de satisfação da população com o governo Lula. Pesquisas realizadas por todos os institutos de pesquisa mostram incessantemente que o governo atual atingiu seus maiores índices de aprovação em toda a série histórica, iniciada em 2003 (cerca de 80%). Na medida em que as pessoas estão satisfeitas com a administração atual, pode-se supor que elas também estejam positivamente mais sensíveis à sua continuidade. Considerando que os brasileiros sejam racionais e buscam adequar suas ações aos seus objetivos, é palpável afirmar que buscarão uma alternativa eleitoral que mais se aproxime do ideal de continuidade. Nesse sentido, a candidatura de Dilma Rousseff ganha uma força estrondosa.

Seguindo essa lógica, a principal tarefa do núcleo de campanha de Dilma é elaborar estratégias para transformar a aprovação da população em desejo de continuidade. Caso esse estado de espírito seja obtido, bastaria apenas que a candidata do Planalto reunisse principalmente dois atributos: (i) forte identificação com o atual governo e (ii) credibilidade para prometer a manutenção das principais políticas públicas. Dilma Rousseff, principal burocrata do segundo mandato do governo Lula, possui ambas as qualidades necessárias. Ela não apenas é criação pessoal do presidente como dirige o governo há pelo menos quatro anos.

Há exemplos abundantes desse tipo de fenômeno político da continuidade: Márcio Lacerda em Belo Horizonte (apadrinhado de Fernando Pimentel e Aécio Neves), Luiz Paulo Conde no Rio de Janeiro (“criado” por Cesar Maia) e Celso Pitta em São Paulo (“filho” de Maluf). Em todos os casos, escolheu-se um burocrata para dar continuidade à administração exitosa e bem avaliada do mandatário que deixava o cargo.

É importante notar. O poder de transferência de votos não está ligado necessariamente à capacidade pessoal de Lula de persuadir eleitores, mas ao desejo de ver a atual administração tendo continuidade. Na medida em que as pessoas vão identificando a ex-ministra como a candidata do governo e da continuidade, seu índice de intenção de votos subirá naturalmente.

Portanto, é fácil notar que José Serra e Marina Silva encontram-se em um difícil dilema: ambos são candidatos da mudança em um momento histórico no qual as pessoas desejam a continuidade. No caso de Serra, a história lhe é duplamente ingrata, dado que na sua primeira tentativa presidencial (derrotado por Lula em 2002), ele era o candidato da continuidade enquanto os brasileiros queriam mudanças.

Serra já sinalizou o caminho que irá trilhar. Em primeiro lugar, tentará jogar aproveitando os erros oriundos da inexperiência eleitoral de Dilma (que não têm sido poucos). Em segundo lugar, deverá explorar áreas onde o governo federal não goza de boa aprovação, como a saúde e a educação. Resta saber se uma campanha temática/focalizada nesses dois temas possui amplitude suficiente para destronar outra pautada na economia e nos avanços sociais. Por fim, Serra tentará explorar a natureza inorgânica da aliança PT-PMDB, estimulando traições nos estados. Isso pode acontecer em colégios eleitorais importantes como Rio Grande do Sul, Pernambuco e São Paulo.

No caso de Marina Silva, suas fragilidade reside nas facetas contraditórias que permeiam sua imagem. Ela é mulher, ambientalista e evangélica. Uma mistura e tanto. Seu eleitorado “natural” seria composto de ativistas verdes e feministas com perfis bem progressistas. Entretanto, essas pessoas também tendem a ter posição favorável ao aborto, ao casamento gay e outros temas dessa natureza, que passam longe de qualquer candidata evangélica. E agora, como Marina deverá se posicionar? Privilegiar posições progressistas ou conservadoras? Qualquer caminho escolhido implica em abocanhar milhões de eleitores e descartar outros tantos. A favor de Marina pesam sua biografia incrível, o fato da questão ambiental encontrar-se na agenda global e a simpatia da imprensa estrangeira. Lembrem-se que esse último fator foi bastante importante na campanha de Obama (ele chegou a discursar para mais de 250 mil pessoas em um comício improvisado na Alemanha). Mesmo assim, repete-se a pergunta que se faz a Serra: uma campanha temática (meio ambiente) pode fazer frente a uma campanha concentrada em aspectos econômicos e sociais?

Para Downs, a resposta é bastante clara. Se ele pudesse analisar as eleições presidenciais brasileiras, diria que Dilma é favorita. E é mesmo. Pelo menos no que se refere ao período de pré-campanha, que dura até o dia cinco de julho. A partir daí, a propaganda eleitoral de rádio e TV é quem ditará o ritmo.Não se trata de dizer que o jogo zera com o início do horário eleitoral. Isso não acontece. Pelo que tudo indica, Serra e Marina iniciarão suas jornadas atrás de Dilma. No entanto, no período de campanha são introduzidos novos elementos que ainda não estão presentes no momento, como os enfrentamentos pessoais nos debates e a possibilidade de falar mal do adversário (campanha negativa).

Outro autor mais antigo chamado Maquiavel dizia que a política podia ser dividida em duas: uma era previsível e passível de manipulação. Outra era ditada pelo acaso, por aquilo que não podia ser controlado. Com os atuais indicadores de aprovação do governo Lula e a vantagem concreta de Dilma sobre seus adversários, pode-se dizer que, atualmente, a ex-ministra da Casa Civil de Lula possui uma situação mais controlada e administrável. Já as chances de Marina e Serra dependem mais da força do imponderável.

21 maio 2010

Vou dando meus pitacos...


Quase 80% dos brasileiros não conversam sobre eleições.


Por Daniel Bramatti (Estadão)

Os pré-candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) estão percorrendo o País em busca da atenção de uma minoria de interessados nas eleições de outubro. A última pesquisa Vox Populi mostrou que, de janeiro para cá, continua estagnada em cerca de 20% a fatia da população que acompanha os desdobramentos da chamada “pré-campanha”.
Nada menos que 78% dos entrevistados responderam que, na semana anterior à pesquisa, não conversaram sobre “política, governo, partidos ou eleições”. Os 22% que tocaram nesses assuntos o fizeram, na maior parte dos casos, com amigos e parentes.


Pessoal: a democracia não é um projeto acabado. Mas um processo de aprendizado que funciona na base da tentativa e erro. O nível de politização do brasileiro, acreditem ou não, está no mesmo patamar de países desenvolvidos. S fizermos um cálculo, 22% de brasileiros falando sobre política, chegaremos ao número de 41,8 milhões de pessoas dialogando, discutindo e consumindo informação política! É muita gente! Uma prova disso é o quanto os meios de comunicação estão investindo nas coberturas eleitorais. Se les fazem isso, é porque a demanda é grande e está crescendo. Se considerarmos que o país possui pouco mais de 20 anos de eleições livres, é um baita avanço.

13 maio 2010

O perigo radicalização excessiva da política!

"O SELO DA INTOLERÂNCIA"! "O EXERCÍCIO HEGEMÔNICO DO PODER"! (do blog do César Maia)

Trechos do artigo do historiador e politólogo argentino, Natalio Botana, no La Nacion (06).

1. A imposição e a intolerância pairam constantemente sobre nossa sociedade. A imposição se refere ao exercício hegemônico do poder. O exemplo mais simples de entender esse conceito de controle do executivo é aquele que diz respeito ao comportamento e à conduta centralizadora dos atuais governantes. Quando se mergulha nas entranhas dos conflitos e harmonias, se poderá advertir que este ânimo imposto, incapaz de entender razões e partilhar outro ponto de vista, impregna todos os tipos de instituições. Desde baixo até o alto, a hegemonia circula por todas as partes.

2. A paixão e a cegueira que estão espalhadas pelo espaço público fabricam inimigos e envolvem o discurso em uma atmosfera de guerra. Sempre voltamos ao processo eleitoral: quem é o inimigo? Como atacá-lo? Qual é o método mais eficaz para a difamação? À vista de tanto círculo vicioso, esta é uma história repetida, amálgama de escrachos, falsificações anônimas e supostos julgamentos populares. No repertório do nosso comportamento existem escrachos bons e escrachos maus, dependendo de quem é o depositário das ações.

3. Mas quase toda a ideologia oprimida com vocação totalitária, quando trata de sair desta situação, busca se tornar opressora. Isto se assemelha perigosamente aos ventos que sopram nestes dias, impulsionado por uma versão elementar de justiça, que como uma máscara, esconde o apetite por vingança. Esse suposto "direito a intolerância", Voltaire classificava como "absurdo e bárbaro". É um jacobinismo adoçado, sem comitês de salvação pública, nem guilhotina, consagrado a converter a trajetória da cada um (até agora tiveram sorte os jornalistas) em um registro policial.

4. Devemos nos perguntar se essa atmosfera contribui para consolidar as instituições do Estado de Direito. Definitivamente não! A causa dos erros e mentiras que são postas em circulação e do equívoco que supõe aplicar um conceito hegemônico da política a uma sociedade fragmentada, diversa em sua estrutura, mas ainda incapaz de transformar essa heterogeneidade em um pluralismo construtivo. A essa tarefa de reconstrução devem destinar-se as oposições, em defesa do valor da tolerância.

Pessoal: eu acho que esse é um texto que só poderia ter sido escrito na Argentina, um lugar onde a política é muito radicalizada e a existência de processos de conciliação entre facções adversárias são extremamente difíceis de acontecer. Nesse caso, o vencedor sempre "leva tudo". Para as políticas públicas, isso é um desastre, pois não há continuidade. Cada mudança de elites gera uma troca de quase todos os atores importantes e uma rejeição de tudo que esteja relacionado com a administração anterior. O resultado é um retrocesso institucional muito grave naquele país. Por isso, temos que zelar para as lutas políticas no Brasil não se acirrem a ponto de fechar canais de diálogo entre vencedores e perdedores.

11 maio 2010

O candango que ficou pelo caminho!

A pergunta que mais se ouviu nos debates que marcaram o cinqüentenário de Brasília foi se, no final das contas, a nova capital havia cumprido seu papel.

Há muitas maneiras de respondê-la, dependendo do que se deseja focar. Mas é inevitável notar que pelo menos uma promessa preciosa foi quebrada durante o caminho: a aproximação definitiva entre o povo e o Estado.

Quando vemos fotos da construção, sempre encontramos os candangos suados cortejados por um JK extremamente elegante. Por mais que o matuto e o político fossem bem diferentes, o fato é que elas se complementavam. Ambos sentiam-se a vontade ao lado do outro. Parecia que havia uma conciliação em curso, representada de forma poética nos canteiros de obra de Brasília.

Infelizmente, não foi essa a imagem que ficou da capital. O golpe militar castrou o sonho brasiliense e consagrou as praças vazias, ao invés da animadas serestas dos peões.

O candango ficou perdido pelo caminho.

10 maio 2010

Outra dica no nosso "painel cultural"!

O Senado promove grande debate com juristas renomados, parlamentares e autores sobre Direito Autoral e Jornalismo na Internet e Cultura Brasileira, Arte e Soberania Nacional.
Encerramento: pocketshow com Leo Jaime

Dia: 11 de maio, a partir das 14h30 no Interlegis, Senado Federal

Parceiros: Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e Associação Nacional de Jornais (ANJ)

Todas as informações pelo site : http://www.senado.gov.br/comunica/cultura

Inscrições: enviem um e-mail para srpeventos@senado.gov.br ou pelo tel.: (61) 3303-1133

Curso de extensão gratuito!

O Instituto Legislativo Brasileiro (ILB) convida-o a participar do curso FUNDAMENTOS DA INTEGRAÇÃO REGIONAL: O MERCOSUL, na modalidade a distância, com tutoria. As pré-matrículas já podem ser feitas emwww.senado.gov.br/sf/senado/ilb/asp/ED_Cursos.asp.

Os candidatos selecionados receberão confirmação por e-mail até o dia 18/05/2010.

Lembramos que a partir de 2010, o ILB passa a utilizar, em seus cursos a distância, o ambiente virtual de aprendizagem TRILHAS.

Esperamos que fique satisfeito com a nova plataforma e os cursos oferecidos, mas contamos com suas sugestões para aperfeiçoar o nosso trabalho.

Equipe de Educação a Distância do ILB
ilbead@senado.gov.br
Senado Federal

05 maio 2010

Mais sucessão presidencial!

Saída de Ciro favorece Serra, mas só no início


"O eventual crescimento do candidato do PSDB, com a transferência de votos num primeiro momento da maioria dos eleitores de Ciro, decorrerá, de um lado, da desinformação do eleitor sobre a candidata oficial, e, de outro, do fato de o nome de Serra ser mais familiar ao eleitor", raciocina Queiroz

Por Antônio Augusto de Queiroz*

O PT e o presidente Lula irão precisar de nervos de aço nos próximos meses, especialmente em maio, quando a tendência é que José Serra, beneficiado pela saída de Ciro, alargue sua vantagem nas pesquisas sobre Dilma.

Será um período de transição de um a dois meses, mas logo a candidata do PT voltará a crescer.

O eventual crescimento do candidato do PSDB, com a transferência de votos num primeiro momento da maioria dos eleitores de Ciro, decorrerá, de um lado, da desinformação do eleitor sobre a candidata oficial, e, de outro, do fato de o nome de Serra ser mais familiar ao eleitor. Ou seja, boa parte dos eleitores de Ciro, por não saberem que Serra é do PSDB nem que Dilma é a candidata de Lula, optarão pelo nome mais conhecido.

De fato, José Serra tem o nome mais conhecido e exposição positiva na mídia. Ele disputou a eleição presidencial em 2002, foi prefeito, governador, deputado federal e senador, enquanto Dilma só ganhou visibilidade no Governo Lula e, com mais exposição, quando assumiu a chefia da Casa Civil, com a saída de José Dirceu em junho de 2005.

Nesse período, o fundamental para os aliados de Dilma é segurar a ansiedade, gerenciar expectativas, e controlar o salto alto do presidente, que precisa ser mais humilde, inclusive para que seu partido, o PT, também o seja.

Se não forem prudentes, poderão colocar a eleição de Dilma em risco, porque a pressão psicológica será grande, com o crescimento do principal adversário nas pesquisas em maio e talvez em junho.

A explicação para o provável crescimento de Serra é razoavelmente simples. Segundo a última pesquisa Ibope, quando o nome de Ciro era excluído da lista de candidatos, a migração de seus votos para Dilma era de apenas 33%, enquanto para Serra era de 44%. Pela pesquisa Sensus, a migração era de somente 16% para Dilma e 41% para Serra.

Aqui cabe um parêntese para uma explicação. Como o PSDB acusou a pesquisa Sensus de manipular dados, vai voltar à carga nas próximas pesquisas dizendo que tinha razão, já que a diferença entre a última e a próxima pesquisa Sensus será grande. Mas isso será explicado pela transferência de voto do eleitor de Ciro para Serra que, pela pesquisa Sensus, previa 41% contra apenas 16% para Dilma.

O segundo aspecto, da desinformação do eleitor, possui dupla dimensão. A primeira diz respeito ao eleitor de Ciro, que, segundo o Datafolha, mais de 1/3 estão concentrados no Nordeste, sendo 16% do total só no estado do Ceará, que é governado por seu irmão, Cid Gomes (PSB).

Ora, se Cid e Ciro apóiam Dilma, e Dilma é candidata de Lula, que é recordista de apoio no estado, como explicar que o eleitor dos dois primeiros votem em Serra, adversário político deles e do presidente Lula? Só a desinformação justifica. E isso pode ser e, certamente, será corrigido ao longo da campanha.

Uma informação relevante da última pesquisa Vox Populi, feita considerando a hipótese de Ciro fora da disputa, é que quando os eleitores sabem que Dilma é a candidata de Lula, ela ganha de Serra por 47% a 34% entre os eleitores do sexo masculino e de 42% a 33% entre as mulheres.

Como, sem esta informação (Dilma candidata de Lula), Serra está à frente em todas as pesquisas - considerando ou não a candidatura Ciro - a conclusão que se chega é que o problema é de desinformação. Estima-se que mais de 40% do eleitorado não sabem que Dilma é a candidata de Lula.

Eventuais oscilações favoráveis a Serra nas próximas pesquisas não podem ser vistas como algo definitivo. Portanto, não devem ser motivo de euforia do PSDB nem de desespero do PT. Os resultados dessas pesquisas podem, e tendem a ser, provisórios, já que poderão ser alterados quando corrigida a assimetria de informação entre os eleitores, o que será feito ao longo da campanha.

Assim, é preciso administrar as expectativas e ansiedades. O momento é de transição. E, nesses momentos, a prudência, o equilíbrio, e a humildade são os melhores conselheiros. A eleição só será decidida em outubro ou, se houver segundo turno, em novembro. Até lá, nervos de aço!

(*) Jornalista, analista político e diretor de Documentação do Diap

29 abril 2010

Pitacos eleitorais!

Eleições presidenciais (entrevista concedida à assessoria de imprensa do DF)

Como senhor avalia o nível dos candidatos à presidência este ano?

Eu faço uma boa avaliação dos candidatos à presidência da República. Serra e Dilma não são carismáticos, mas possuem um perfil gerencial e certamente focarão suas campanhas na comparação de indicadores e resultados obtidos por cada um. Marina possui uma biografia fantástica e muitos bons serviços prestados à política ambiental, especialmente durante seu período no ministério de Lula. Isso é um sinal de que o brasileiro está mais pragmático e amadurecido no que se refere ao que ele espera da política: não queremos mais salvadores da pátria. Queremos gestores capazes de dar continuidade àquilo que está dando certo e de melhorar aquilo que não está funcionando.

Quem tem mais a ganhar com o PSB anulando a candidatura do Ciro Gomes?

No final das contas, ninguém. Os votos do Ciro migrariam mais cedo ou mais tarde para algum dos três candidatos, mesmo que fosse apenas no segundo turno. Dessa forma, apenas antecipou-se o movimento de transferência. Serra pode ganhar uns pontinhos extras nas próximas pesquisas, mas Dilma ganhou o tempo de TV destinado ao PSB.

É legítima a interferência que o Lula tem feito a favor da Dilma, sendo ele presidente eleito? Mesmo o FHC tendo feito o mesmo no passado para ajudar o Serra?

Acho que sim. O presidente não precisa demonstrar neutralidade, sendo que seu partido encontra-se na disputa e busca perpetuar um projeto político. Em qualquer democracia isso acontece. O que não pode é usar a máquina pública para favorecer um ou outro candidato. Para evitar isso, a justiça deve permanecer atenta.

Com essa briga braba que Serra e Dilma vem travando, a Marina Silva pode tencionar se dar bem em cima disso?

Acho que ela pode e certamente se apresentará como terceira via. Entretanto, ela não possui recursos financeiros e de tempo de rádio e TV para ameaçar verdadeiramente os dois principais candidatos. Sua candidatura servirá para colocar o tema ambiental na agenda dos brasileiros e arrancar compromissos de Serra e Dilma nesse sentido.

Eleições no DF e crise política

Existe legitimidade na eleição de Rogério Rosso para governardor do Distrito Federal, mesmo tendo recebido votos de 8 deputados ligados ao esquema de corrupção que atormenta a cidade?

Não. A eleição de Rosso pode ser legal, mas não é legítima (que significa que não é aceita). Rosso tem um perfil bem distante daquilo que Brasília necessitaria no momento. É ligado a Roriz e a Arruda (pivores do escândalo) e fez compromissos com deputados distritais investigados para ser eleito. Rosso pode alegar que não foi citado em nenhuma gravação de Durval, mas suas "ligações perigosas" depõem contra ele. Em política, vale o ditado da mulher de César: não basta ser honesta, tem que parecer honesta.

Apesar de ser um remédio amargo, a intervenção federal hoje é o melhor caminho para a cidade?

Há uma lado bom e um lado ruim. O lado bom é que poderíamos fazer uma varredura e apurar profundamente nomes de empresários e políticos corruptos que ainda não foram denunciados, retirando a suspeição que hoje paira sobre o GDF. O lado ruim é que o interventor teria de acertar as contas de Brasília com o restante do país. Quando a opinião pública e outros governadores perceberem o volume descomunal de recursos que a União despeja no DF, certamente haveria uma mobilização política para reduzir o volume de recursos que recebemos, com prejuízo para os salários dos servidores e a prestação de serviços públicos à população.

Quais as chances de o Roriz voltar a ser governador do Distrito Federal?

Atualmente, as chances de Roriz são relativamente grandes. Entretanto, há fatores de imprevisibilidade que devem ser considerados: 1) Ele está sendo processado pelo TSE e uma eventual condenação o tornaria inelegível; 2) Roriz terá muito pouco tempo de TV, dado que pertence a um partido pequeno; 3) É possível que desdobramentos retardados da operação Caixa de Pandora cheguem até ele e 4) Ele não conta mais com a estrutura partidária gigante que o PMDB colocava à sua disposição. Por essas razões é que considero as chances de Roriz apenas "relativamente" grandes. Há muita água para correr por baixo da ponte.

Em 2006 o Agnelo perdeu cadeira no Senado para o Roriz, e esse ano será que ele tem alguma chance?

Caso Agnelo consiga fazer uma composição que envolva PT,PMDB,PSB e PDT, terá um tempo de rádio e TV excepcional, aumentando significativamente suas chances de enfrentar Roriz com alguma vantagem. Outro ponto que lhe é favorável é a grande rejeição do ex-governador. Apesar de nunca ter perdido uma eleição, Roriz também nunca ganhou nada com um grande margem de folga. Seria uma disputa bastante equilibrada.

Se o Cristovam decidir se lançar como candidato, como isso influenciará no panorama eleitoral?

Cristovam polarizaria a disputa com Roriz. Entretanto, como ele dividiria a mesma base eleitoral de Agnelo, poderia estar abrindo um flanco para que Roriz pudesse vencer a disputa ainda no primeiro turno. Portanto, caso ele tome essa decisão, deverá ficar atento às pesquisas, torcer para um segundo turno e contar com a transferência dos votos de Agnelo no segundo turno para poder vencer Joaquim Roriz.

27 abril 2010

Para um bom entendedor...


Compilação da pesquisas (o que mais chama a atenção? o vencedor ganhará uma balinha...)

26 abril 2010

A "irracionalidade" do voto!

Para neurolinguista de Berkley, voto não é decisão racional (capturado no jornal Estado de São Paulo)

No livro The Political Mind (A Mente Política, em tradução livre), o sr. afirma que progressistas e conservadores têm formas de pensar distintas e inconciliáveis. Progressistas veriam o governo como um "pai cuidadoso" - que protege e oferece possibilidades aos cidadãos -, enquanto conservadores encarariam o Estado como um "pai austero" - a quem cabe ensinar uma rígida disciplina. Até que ponto esta metáfora pode ser exportada para outras partes do mundo?

Muita gente tem as duas formas no cérebro simultaneamente e variam o seu uso. O cérebro tem determinados circuitos, chamados "inibição mútua", em que a ativação de uma forma de pensamento inibe a outra. Por isso, as pessoas podem ser conservadoras em alguns aspectos e liberais em outros, desde que em questões políticas diferentes. Fizemos um estudo empírico com um grupo, durante uma eleição na Califórnia, e vimos que isso acontece com 18% dos eleitores. Temos descoberto que o mesmo ocorre na Espanha, com as mesmas duas formas de pensar, apesar de o país ter muitos partidos políticos. Os eleitores fazem diferentes combinações das formas de pensar progressista e conservadora - eles aplicam uma combinação se são social democratas, outra se são democratas cristãos, e assim por diante. Isso também vale para a Alemanha. Ou seja: estas formas de pensar se aplicam à Europa - certamente se aplicam à Espanha e à Itália -, mesmo em sistemas multipartidários.

Então só há estas duas formas de pensar politicamente? Elas são universais?

Não. Um dos meus alunos fez um estudo na China e descobriu que há uma outra forma de pensar, que reflete a estrutura familiar chinesa. Não sabemos quão difundidas são as formas de pensar conservadora e progressista, mas esta estrutura certamente funciona na Europa e em países com influência cultural europeia.

Na América Latina, por exemplo?

A América Latina seria uma possibilidade. Mas esta é uma pergunta empírica, simplesmente não dá para dizer. Não se sabe exatamente onde funciona e onde não funciona. O que nós sabemos é que não parece ser universal. O que parece ser universal, contudo, é que a política aparentemente depende muito da estrutura familiar. Mas ainda há muita pesquisa a se fazer.

O senhor defende o uso de enquadramentos ideológicos e metáforas nos discursos políticos. É possível fazê-lo sem manipular o eleitor?

A primeira coisa a ser entendida é que nós sempre vemos o mundo através de um prisma ou de metáforas. São formas de pensar às quais recorremos todos os dias. Não se pode pensar sem enquadramentos ideológicos, e provavelmente mais da metade dos seus pensamentos são metafóricos. Além disto, a organização política da mente baseia-se sempre em sistemas morais - frequentemente com origem na estrutura familiar. E os pontos de vista ideológicos são organizados dentro destes sistemas. Pontos de vistas são independentes da linguagem - é a língua que se adapta a eles. Por isso, uma mesma palavra pode ter significados diferentes para pessoas diferentes. No debate sobre a reforma do sistema de saúde nos EUA, por exemplo, os conservadores encaravam a questão como um problema de "liberdade" e, portanto, um problema moral. Os Democratas, por outro lado, lidavam com a polêmica como uma questão política e, por não discutirem o tópico no plano moral, perderam muito apoio.

Em que medida entender como o cérebro processa as metáforas importa no debate político?

Importa muito! Conservadores frequentemente estudam marketing e sabem como vender ideias. Sabem usar enquadramentos ideológicos, construção de narrativas, metáforas e emoções de maneira muito eficaz. Mas progressistas, nos EUA, tendem a estudar outros campos: eles se dedicam à ciência política, às políticas públicas, ao direito e à economia. E esses campos tendem a ignorar o funcionamento do cérebro. Estuda-se a razão iluminista - de acordo com a qual pessoas pensam em termos da lógica formal, de forma literal e sem emoções. As emoções atrapalhariam a capacidade de raciocínio. Com isso, perde-se a maior parte do que foi aprendido com a neurociência. E um dos problemas é que não se entende como a comunicação funciona. Os progressistas continuam cometendo erros e não compreendem o tipo de sistema de comunicação que os conservadores desenvolveram nos EUA. Conservadores têm institutos para treiná-los e expô-los na televisão e no rádio, têm redes de especialistas, têm linguistas para explicar qual a forma mais efetiva de comunicação. Mas os progressistas não entendem isso. Eles acreditam que basta falar dos detalhes políticos para serem claros. Só que isso nunca é o bastante. O resultado é que os conservadores se fortalecem.

Barack Obama, na campanha presidencial, teria usado as estratégias de comunicação de forma adequada?

Durante a campanha, ele usou os prismas ideológicos brilhantemente - usaram todos os meus livros (risos). Foi quase perfeito. Mas desde que se tornou presidente, ele adotou um estilo de comunicação diferente. Meio que se esqueceu de tudo o que foi feito na campanha - e isso tem sido muito custoso.

O senhor afirma que é mais fácil mudar a forma como o eleitor pensa depois de um trauma. O Brasil, no entanto, vive a situação oposta: o presidente atual tem cerca de 80% de aprovação. É possível, numa situação como esta, convencer o eleitor a votar na oposição?

Não conheço o suficiente da política brasileira, mas posso especular. Se existirem, no Brasil, eleitores que chamo de "biconceituais" - ou seja, que variam entre dois sistemas de pensamento -, e se a oposição tiver uma comunicação excelente (e souber como explorá-la), então é possível mudar a situação independentemente da popularidade do governo. Por exemplo, depois da saída de Bill Clinton, os Estados Unidos estavam numa ótima posição econômica, mas George Bush conseguiu comunicar-se muito bem, enquanto Al Gore era péssimo.

Há estudiosos que afirmam que o Brasil é um País que tende à esquerda. Por que os países variam tanto no espectro ideológico?

Não sabemos com certeza. Suspeito que tenha relação com a cultura. Suspeito também que tem a ver com a sofisticação política da esquerda em comparação com a direita. Mas, novamente, precisaria conhecer um pouco melhor o Brasil para responder corretamente.

Mas o mesmo certamente se aplica a países na Europa.

Mas aí a situação fica complicada. A Holanda, por exemplo, tem problemas com imigração. Existem questões sérias de racismo nestes países. Conservadores estão avançando no norte da Europa, na Holanda, na Alemanha e em outros países, e estão indo muito bem na Inglaterra atualmente. E, em alguma medida, têm contratado consultores políticos americanos. Os conservadores europeus estão tentando conquistar espaço usando as técnicas dos conservadores americanos.

O senhor argumenta que a forma de pensar dos conservadores é intrinsecamente autoritária. É possível um governo ser conservador e democrático?

Depende do que você define como "democrático". Uma das melhores coisas que Barack Obama escreveu foi sobre Democracia. Ele caracteriza a democracia americana como fundamentalmente baseada em empatia, na habilidade de se preocupar com o próximo. E é por isso que existem princípios como justiça e liberdade para todos. E é por isso que a missão do governo seria a de proteger e oferecer possibilidades aos seus cidadãos. Esta é a visão progressista, que projeta na política a estrutura familiar do pai carinhoso. É uma forma de encarar a democracia. Mas conservadores têm uma maneira totalmente diferente de entender o que democracia significa. Eles acreditam que os ricos e bem-sucedidos devem ter mais poder, porque merecem isso. Democracia seria uma espécie de meritocracia. Deve haver grandes diferenças de renda, pessoas que não são disciplinadas o bastante devem ser pobres. E chamam isso de democracia, porque eles encaram a democracia como uma fonte de oportunidades para quem é disciplinado.

Diz-se que, nesta eleição presidencial brasileira, os principais candidatos têm uma visão política e econômica muito próxima. Como diferenciar candidatos que compartilham de uma mesma forma de pensar?

Ah, de muitas maneiras. Primeiramente, um candidato pode acreditar em pequenas ou em grandes mudanças. Um outro fator é a prioridade de cada candidato. Alguns podem priorizar políticas ambientais, outros a saúde pública, outros a política externa e assim por diante. Pode-se ter os mesmos valores e prioridades diferentes. Falo muito disso em Moral Politics (Política Moral, em tradução livre), meu primeiro livro sobre o assunto. As pessoas simplesmente têm diferentes maneiras de decidir o que fazer e em que momento. Além disso, há muitos tipos de progressistas: há quem ache que o problema está na distribuição de renda, outros se preocupam com a questão racial, há ainda os ambientalistas Etc.. Isto acontece porque existem diferenças dentro de uma mesma forma de pensar.

Em um país com sério déficit educacional, como o Brasil, o eleitor fica mais suscetível à manipulação?

Não tem nada a ver. Pessoas com um alto grau de educação ainda são manipuladas. Nas eleições, as questões mais importantes têm a ver com valores morais e com o modo como são comunicados. Têm a ver com a capacidade de se conectar com as pessoas, ou seja, falar e ser entendido por todos; com transmitir uma sensação de confiança; e com ter uma imagem com a qual o eleitor poça se identificar. Chamo isso de autenticidade. Se você parecer autêntico, se compartilhar os valores da população, se o eleitor puder se identificar e confiar em você, então votarão em você. E não é apenas uma questão educacional. É questão de ter uma capacidade básica de se ligar às outras pessoas, de sentir empatia, de se preocupar com outros, de saber com quem se identificar e em quem não confiar. Uma das coisas bacanas da democracia é que ela apela a estas questões, não apenas à educação.

O senhor afirma que a empatia é inerente ao homem e a base da democracia. Mas qual seria o papel político do egoísmo?

Lembre-se de que a empatia é essencial para a sobrevivência. É ela que permite a formação de grupos sociais e nos faz cooperar - e cooperação é crucial para sobreviver. Sim, existem interesses pessoais - o que é muito sério -, e sim, existe empatia - o que também é muito sério. A ideia de que somos naturalmente egoístas está errada. A pergunta então passa a ser: como criamos nossos filhos para sentirem empatia pelo próximo? Temos que entender que a criação importa muito, precisamos de instituições públicas que dependam de cooperação, devemos ter um governo em que pessoas se preocupem com o próximo...

23 abril 2010

Internet e revolução!

"A INTERNET É UM FENÔMENO DE DESINTERMEDIAÇÃO"!

Trechos da entrevista do jornalista Juan Luis Cebrián, fundador do ‘El País’, hoje seu diretor. Estado SP (18).

"1. No fundo a internet é um fenômeno de desintermediação. E que futuro aguarda os meios de comunicação, assim como os partidos políticos e os sindicatos, num mundo desintermediado? As próprias organizações políticas foram ultrapassadas pela movimentação dos cidadãos. Como ordenar tudo isso? Não sei. O envolvimento da imprensa com a política é um fenômeno antigo. O que é novo é a instantaneidade, a globalidade e a capacidade de transmissão de dados que, por si só, configura um poder fabuloso.

2. A internet cria um mundo sem hierarquias. E nós, acostumados ao mundo piramidal, com instituições fortes, o Estado, a Igreja, os partidos, enfim, com ordem estabelecida, agora temos que nos achar nessa imensa rede onde todos mandam e ninguém obedece. A sociedade democrática se move pela norma, que nos conduz à lei. No mundo virtual, a norma não conduz à lei, mas ao software."

Vejam que interessante. O autor acredita que a internet elimina os intermediários que existiam entre as pessoas e a informação. Esses intermediários são exatamente os grandes grupos de informação. Isso reforça a natureza anárquica da rede, isto é, fora de qualquer controle. Empresas e pessoas podem abrir canais de comunicação na internet e influenciar milhões de outros indivíduos. Exemplo: o blog do Noblat recebe mais acesso do que o site da Veja. Daí concordar que estamos diante de um mundo completamente novo e inesperado.

Esse fenômeno é tão forte que afeta até a HISTÓRIA. Imaginem que antigamente, necessitávamos da presença de historiadores para conhecermos o passado. De algum tempo para cá, tudo está registrado em meio digital e poderá ser acessado por qualquer um. Iremos direto ao fato. Mesmo que ele tenha acontecido há muito tempo atrás.

Outro exemplo. As gerações mais novas costumam escutar que a eleição presidencial de 1989 foi decidida por uma edição favorável à Collor do último debate feito entre os candidatos. Será? Procure no You Tube o debate, assista-o e decida você mesmo. Quem era o melhor candidato?

19 abril 2010

A importância do horário eleitoral gratuito!

A universalização total da cobertura televisiva no Brasil transformou o horário eleitoral gratuito no canal formal mais importante de veiculação de propaganda política. Nesse sentido, o tempo de rádio e TV ao qual os partidos têm direito se tornou um recurso valioso que é disputado de forma agressiva pelos candidatos, sendo elemento importante para a decisão das coligações.

Até o momento, a chapa da ex-ministra Dilma Rousseff possui 8’03’’83 (PT-PMDB-PRB-PCdoB-PR). Serra está em segundo com 5’53’’76 (PSDB-DEM-PPS). Ciro Gomes conta com 1’11”14 e Marina possui apenas o tempo destinado ao PV, ou seja, 00’43”85.

Com o desenvolvimento do calendário eleitoral, os maiores partidos tendem a se alinhar (PP, PR, PTB, PDT e PSB, caso Ciro desista), mudando a distribuição de tempo entre os candidatos.

Mas atenção: não basta ter tempo de TV. Tem que saber utilizá-lo. Na campanha de 2002, Serra tinha exatamente o dobro do espaço destinado à chapa de Lula. Deu no que deu.


09 abril 2010

Sobre meio ambiente, religião e eleições: a escolha de Marina

Uma das maiores dificuldades encontrada por estrategistas eleitorais é o mapeamento das preferências das pessoas e o ajuste do discurso dos candidatos a elas. O problema é que os eleitores possuem muitas personalidades e os candidatos também! Achar uma sintonia entre eles não é fácil.

Tomemos a candidata Marina Silva como exemplo. Ela é mulher, ambientalista e evangélica. Uma mistura e tanto. Seu eleitorado “natural” seria composto de ativistas verdes e feministas com perfis bem progressistas. Entretanto, essas pessoas também tendem a ter posição favorável ao aborto, ao casamento gay e outros temas dessa natureza, que passam longe de qualquer candidata evangélica.

E agora, como Marina deverá se posicionar? Privilegiar posições progressistas ou conservadoras? Qualquer caminho escolhido implica em abocanhar milhões de eleitores e descartar outros tantos. E agora, Marina?

07 abril 2010

Texto interessante sobre o papel das pesquisas eleitorais!

O eleitor é insondável, mas o eleitorado é previsível

Artigo publicado pelo jornalista José Roberto de Toledo no blog do Estadão, em 24 de março de 2010

A chance de você ser entrevistado numa pesquisa de intenção de voto para presidente no Brasil é de uma em 66 mil. Se morar em São Paulo, você corre dez vezes mais risco de morrer assassinado do que de ser abordado por um pesquisador.

Logo, dizer que não acredita em pesquisa eleitoral apenas porque nunca foi entrevistado equivale a sair dizendo por aí que não acredita em homicídio porque continua vivo.

A maior parte de quem está lendo esta nota jamais terá sido entrevistada por IBOPE, Datafolha, Vox Populi ou Sensus. Não se sinta só. Somos maioria.

As amostras não são proporcionais ao tamanho do universo pesquisado. Não precisam ser. Vale mais um amostra bem feita com duas mil entrevistas do que uma enquete na internet com dois milhões de respostas.

As pesquisas de opinião usam critérios estatísticos para garantir que todos os estratos do eleitorado brasileiro estejam representados. Ao contrário das enquentes, nas quais responde quem está mais interessado no assunto.

Assim como não é preciso tirar todo o sangue do paciente para fazer um exame, nem tomar todo o caldeirão para sentir se a sopa está salgada, basta uma amostra bem temperada para saber o que pensa o eleitorado. Se bem feitas, cerca de duas mil entrevistas costumam produzir resultados com uma margem de erro máxima de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Isso não quer dizer que seja possível prever o resultado da eleição. Ninguém sabe, por exemplo, se um candidato cometerá haraquiri político durante uma campanha. Ou se uma crise econômica súbita mudará o humor de quem vota. Mas, em função desses eventos, é possível monitorar o pensamento dos vários conjuntos de eleitores e prever, se a eleição ocorresse naquele momento, como eles se comportariam diante da urna eletrônica.



Embora os puristas digam que as pesquisas de opinião no Brasil não sejam científicas porque não são 100% probabilísticas, a série histórica de acertos mostra que elas funcionam. Nas eleições em que há mais de um instituto pesquisando a intenção de voto, os resultados de véspera tendem a ter 95% de acerto ou mais em comparação às urnas (se considerada a margem de erro).

Aliás, a sondagem eleitoral é o único tipo de pesquisa que pode ser confrontado com a realidade, pois se tira a prova dos nove nas urnas. Mesmo assim, muito menos gente questiona a validade das pesquisas sobre taxa de desemprego, por exemplo. E elas também são amostrais. O motivo para isso talvez seja a paixão despertada pelas eleições.



O mesmo eleitor que usa a pesquisa do IBOPE ou do Datafolha para gritar que o governo Lula tem 75% de aprovação, questiona o resultado da pesquisa quando seu candidato está atrás do adversário. É natural, até esperado. Estudos sobre as razões do voto mostram que o eleitor se move mais pelas entranhas do que pelo cérebro. Claro, é modo de dizer. O cérebro é quem decide, mas não seu lado racional, e sim aquele que comanda as emoções - ou é comandado por elas.



Na verdade, se você tem uma opinião visceral contra as pesquisas de intenção de voto, é provável que neste exato momento seu cérebro esteja ativando uma série de redes neurais para racionalizar as suas emoções e encontrar argumentos que o farão ainda mais convicto de que as pesquisas s& atilde;o todas fajutas. Ao final, estará satisfeito com sua capacidade de argumentação, fruto de uma descarga de dopamina auto-recompensadora.

Acredite ou não nos argumentos, lembre-se de Arthur Conan Doyle: “Enquanto o indivíduo sozinho é um quebra-cabeças insolúvel, agregado ele se torna uma certeza matemática. Nunca se pode prever o que um homem sozinho fará, mas é possível dizer com precisão o que, na média, muitos deles farão”. Dito assim, parece até elementar, meu caro eleitor.