29 outubro 2009

Que desafio!


O desafio de reconstruir a oposição

O modelo político partidário brasileiro está em meio a mudanças radicais, as mais radicais desde meados dos anos 90, quando o PSDB ganhou corpo e elegeu seu primeiro presidente, Fernando Henrique Cardoso.
Depois da redemocratização, a rigor foram dois os partidos com vocação de poder, o PSDB e o PT. E dois agregados, partidos-ônibus sem discurso para assumir a presidência, mas com importância: o PMDB e o DEM.
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O PSDB surge de uma costela do PMDB, pretendendo-se menos fisiológico. No governo Collor, quase chega ao poder, depois da crise que culminou com a saída de Zélia Cardoso de Mello.
Alguns anos depois, o Real ajudou a eleger Fernando Henrique Cardoso. E o partido ficou oito anos no poder. Nos primeiros quatros anos, impulsionado pelo fogo sagrado de Sérgio Motta. Depois, perdendo gradativamente a vitalidade, à medida que várias lideranças expressivas (Motta, Covas e Montoro) desapareciam e que FHC se enrolava com a falta de garra para governar e com o "apagão" elétrico.
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Agora, chega-se a uma situação complicada, em que o partido diminui gradativamente em todo território nacional e vê seu espaço - de centro-esquerda - sendo ocupado por Lula.
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Nesse período, o candidato natural a ocupar o espaço de FHC, o governador José Serra, não logrou desenvolver um discurso público. A rigor, não se sabe o que ele pensa sobre políticas sociais, gestão, desenvolvimentismo, diplomacia internacional, educação.
De repente, se chega às vésperas das eleições sem saber qual a plataforma do partido, que idéias são remanescentes dos princípios originais, qual o modo de governar do PSDB. E se vê o partido cada vez mais parecido com o DEM e cada vez mais restrito a São Paulo
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O que aconteceu com o PSDB para chegar a esse ponto?
Um dos pontos centrais desse envelhecimento precoce foi a falta de preocupação em criar novos quadros. Em parte devido ao fato do PSDB ter nascido do PMDB, sem ter criado bases sociais mais sólidas. Em grande parte devido ao anacronismo de sucessivas direções, que se estratificaram no poder. Para evitar competição, mataram o aparecimento de novas lideranças.
Tome o caso de São Paulo. Após a geração das diretas - Serra, FHC - que liderança o partido criou? Apenas Geraldo Alckmin que foi muito mais um acidente de percurso, herdando o governo de São Paulo devido ao desaparecimento de Covas.
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Jovens prefeitos promissores, lideranças parlamentares, nada sobrou. José Aníbal foi triturado, o ex-prefeito de São José dos Campos, Emanuel Fernandes, nem chegou a acontecer, deputados estaduais bem votados, federais promissores, foram sementes lançadas no deserto, enquanto três ou quatro lideranças envelhecidas recusavam-se a passar o bastão.
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Dias desses, o ex-senador Roberto Freire - aliado incondicional de José Serra - declarou que o partido precisaria abjurar a política econômica de FHC. Sem dúvida. Só que nenhuma idéia nova apareceu, nenhuma liderança nova surgiu. Os ecos do interior não chegaram à cúpula do partido.
Haverá uma longa luta de reconstrução de idéias e projetos. Mas com quem?

Quem é Aécio nesse processo?

Outra oportunidade!

Fundo Brasil de Direitos Humanos seleciona assistente de projetos

O Fundo Brasil de Direitos Humanos está selecionando candidato(a) para trabalhar período integral como assistente de projetos.

Requisitos: A pessoa deve ter nível superior e formação na área de Ciências Humanas. São requisitos necessários: experiência ou conhecimento sobre organizações da sociedade civil, preferencialmente, aquelas ligadas à temática de equidade racial e discriminação; estar familiarizado com ferramentas da internet e banco de dados; além de boa redação. O candidato deve ter disponibilidade para viagens. Conhecimento em direitos humanos e fluência em inglês são desejáveis. O/a profissional contribuirá para o desenvolvimento do processo de seleção de projetos da Fundação e deverá acompanhar o andamento dos projetos apoiados, em especial, no âmbito de um programa de promoção da eqüidade racial. Além disso, participará da organização de seminários, oficinas de capacitação e eventos promovidos pela Fundação.

A pessoa trabalhará diretamente ligada à assessoria de projetos da Fundação, relacionando- se também com as demais áreas, o que inclui comunicação, mobilização de recursos, diretoria e coordenação executiva.

Os currículos, acompanhados de pretensão salarial, devem ser enviados até
30/10/09 para informações@fundodireitoshumanos.org.br, mencionando- se, no assunto da mensagem, “CV assistente de projetos”.

O Fundo Brasil valoriza e incentiva a participação de afro-descendentes.

O Fundo Brasil de Direitos é uma fundação privada e sem fins lucrativos, comprometida em promover os direitos humanos no Brasil e sensibilizar a sociedade brasileira para apoiar atividades transformadoras nessa área. Para maiores informações, consulte
www.fundodireitoshumanos.org.br.

Oportunidade! Bolsa de Pesquisa IPEA!



1. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) abriu Chamada Pública para seleção de 07 candidatos para obtenção de bolsas de pesquisa em Brasília (05 presenciais e 02 não presenciais) para realização de estudos na área de Economia Internacional e Política Externa.

2. Os candidatos interessados devem acessar no site do IPEA www.ipea.gov.br e entrar no link “bolsa de pesquisa”, e depois em “processos seletivos abertos” onde se encontram informações gerais e outros links para cadastros. Deve ainda clicar na Chamada Pública nº 14/2009 - Projeto "Economia Internacional e Política Externa" para ver os temas,perfis e as condições de concessão das bolsas para esse projeto específico.

3. A solicitação deve ser apresentada, pelo candidato, mediante o cadastramento de seus dados no Sistema de Cadastro de Bolsista, disponível na página do IPEA www.ipea.gov.br mediante a seleção do projeto de interesse, anexando a proposta de projeto e o currículo ou informando endereço lattes. Para candidatos que já possuem o cadastro, será necessário acessar a ferramenta, selecionar o projeto e anexar a proposta de projeto.

4. O prazo de inscrição é até 30/10/2009.


Convite!

A Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG) e seu Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI) convidam Vossa Senhoria para participar do Seminário sobre Mudanças Climáticas, no dia 19 de novembro de 2009, às 9 horas, no salão nobre da biblioteca do Palácio Itamaraty Rio de Janeiro, Av. Marechal Floriano, 196 – Centro.


27 outubro 2009

A importância da variável renda!

Análise rápida...

A variável renda é uma das mais importantes em uma eleição. Ela determina características informacionais (mídias acessadas) e preferências de políticas públicas. Essas informações são essenciais para compor um plano de governo e segmentar abordagens de acordo com o perfil do espectador.

No caso do DF, estamos em um momento muito próximo de 1998 (Cristovam versus Roriz). O fator renda polariza o cenário entre Arruda e Roriz, montando dois nichos muito nítidos para ambos. Quanto maior a renda, melhor para Arruda. As informações abaixo foram extraídas do último relatório produzido pelo Instituto Logos (do qual eu participo).

1. Arruda

2.Roriz

Até $ 456,00

35,5%

56%

$456,00 até $930,00

45,8%

47,9%

$931,00 até $ 2,790,00

52%

33%

$2.791,00 até $4.655,00

62,6%

20,3%

$4.656,00 até $9.310,00

64,1%

14,1%

Acima de $ 9.311,00

59,2%

7,6%




26 outubro 2009

Exemplo de campanha negativa!

video

A campanha negativa (aquela em que busca-se retirar votos dos adversário) é um expediente muito comum nas disputas eleitorais. Entretanto, sua utilização é delicada. Caso um candidato erre na medida, pode experimentar seus efeitos colaterais: ser taxado como agressivo, negativo, criar um ambiente desfavorável a todos os políticos (inclusive ele), etc...

Um exemplo ruim de campanha negativa foi dado por Marta Suplicy na eleição municipal do ano passado. Na reta final, a campanha de Marta levantou dúvidas sobre a sexualidade de Kassab. Um desastre para a petista, que municiou Kassab de uma causa e atentou contra seu passado progressista, um dos seus pontos fortes.

O vídeo acima é um bom exemplo de campanha negativa (a não ser pelo anonimato, algo que a legislação veda): é engraçada, direcionada, amparada em notícias de jornais (oferece credibilidade aos autores) e chocante. Além de criar um slogan muito interessante... "queria morar na propaganda do governo da Bahia".

23 outubro 2009

Lula como vice de Dilma?

Eleição presidencial: o roteiro está traçado, por Antônio Augusto de Queiroz*

“Se a oposição optar por uma chapa pura e contar com o apoio do DEM, do PPS e parcela expressiva do PMDB, poderá surgir o grande fato novo: Lula renunciar e concorrer a vice de Dilma. Isto, claro, se a lei permitir”

O governo quer uma eleição plebiscitária (fará comparação entre os mandatos presidenciais de Lula e FHC), e a oposição deseja um pleito voltado para debater o futuro, o pós-Lula. 2010 começou mais cedo e promete muita emoção.

Na linha plebiscitária, serão atribuídas ao presidente Lula algumas conquistas – como a superação da crise, a descoberta e o marco regulatório do pré-sal, a consolidação dos programas sociais, a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil e as Olimpíadas em 2016 no Rio de Janeiro – que serão reforçadas pela exibição, em grande escala, do filme Lula, o filho do Brasil.

Os fiadores do governo Lula, que poderão dar caráter plebiscitário ao pleito e favorecer a candidata oficial, são: o próprio Lula, cuja aprovação supera os 70%; a capilaridade dos programas sociais, ilustrada pelo Bolsa-Família, que já beneficia 49 milhões de pessoas, distribuídas em 12,4 milhões de famílias; a economia, que estará gerando emprego no ano da eleição; e o apoio oficial do PMDB, além de outros partidos de médio porte.

Já a estratégia da oposição passa por insistir no fato de que o candidato não é Lula nem o governante será ele, enfatizando que a candidata é Dilma e que o governo será dela. E sobre ela, em caráter acusatório, dirão que pouco se sabe, exceto sua condição de ex-guerrilheira, de fazedora de dossiê contra adversários e de pessoa arrogante e autoritária.

Além disso, ainda em relação a Dilma, irão questionar sua história, seus projetos, sua capacidade de exercer as funções de chefe de governo, chefe de Estado e líder da nação. No que diz respeito ao governo, conforme já antecipou o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), afirmarão que desde 2009 não existe governo, mas a campanha de Dilma; não há obras a inaugurar, mas sim festa; nem discurso governamental ou administrativo, mas eleitoral.

O surgimento das pré-candidaturas de Ciro Gomes, pelo PSB, e de Marina Silva, pelo PV, se prevalecer esse padrão de disputa, dificilmente terão fôlego para evitar a polarização entre PT e PSDB ou entre a candidata do governo e o candidato da oposição.

É verdade que a população não está plenamente satisfeita com o PT (embora goste muito do presidente Lula), nem tem saudades do PSDB, o que teoricamente abriria espaço para uma terceira via, mas dificilmente Ciro ou Marina, caso confirmem as candidaturas, teriam mais votos que um dos candidatos da oposição ou da situação.

Três coisas são determinantes numa eleição: o tempo de televisão, palanques fortes nos estados e dinheiro para a campanha. E os candidatos do PT e do PSDB as terão em abundância, enquanto Ciro e Marinha são frágeis nesses quesitos.

Assim, de modo mais abrangente, o resultado da eleição presidencial de 2010 dependerá:
a) Para o governo, do desempenho da economia, dos programas sociais, das obras do PAC, da unidade da base de apoio, do caráter plebiscitário ou não da eleição, da capacidade do presidente de transferir votos, e também do desempenho pessoal da candidata.
b) Para a oposição, do estrago da crise, da desunião da base aliada do governo, de quem será o cabeça de chapa, do caráter não plebiscitário do pleito, da avaliação do desempenho dos governos dos estados de São Paulo e Minas Gerais, do apoio do DEM e do PPS e, principalmente, da aliança entre Serra e Aécio, além da capacidade de atrair apoio de parcela do PMDB.

A oposição não definiu ainda seu candidato. Os nomes são os dos governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves. Se o critério for o desempenho nas pesquisas eleitorais, Serra será o candidato. Se o critério for a capacidade de fazer alianças e penetrar em Estados dominados por Lula, como os do Nordeste, será Aécio.

Entretanto, se a oposição fizer a opção por uma chapa pura (Serra e Aécio ou Aécio e Serra), e contar com o apoio do DEM e do PPS, além de parcela expressiva do PMDB, poderá surgir o grande fato novo da campanha: Lula renunciar e concorrer a vice de Dilma. Isso naturalmente, se a legislação permitir.

(*) Jornalista, analista político e diretor de documentação do Diap.

22 outubro 2009

Corrida para o Senado e suas implicações!

Análise Rápida

O favorito ao Senado é Cristovam Buarque. Paulo Octávio também. Entretanto, voltar ao legislativo não é sua primeira opção. Caso ele abra mão da vice-governadoria, pode perder o controle da sucessão de Arruda (em 2014, caso o atual governador seja eleito). Explica-se: em 2014, Arruda teria que deixar o cargo seis meses antes da eleição para disputar algum outro cargo eletivo. Logo, seu vice se tornará candidato natural, dado que possuirá a vantagem estratégica de controlar a máquina.

Filippelli sabe disso. E condiciona o apoio do PMDB à vaga de vice e coloca Paulo Octávio em uma encruzilhada. Por um lado, a adesão do PMDB aumenta significativamente o tempo de TV de Arruda. Por outro, dificulta o caminho de Octávio para o Buriti (será que ele aceitará ir para o sacrifício?)
  1. Cristovam Buarque (PDT) - 27.1%
  2. Paulo Octávio (DEM) - 23.2%
  3. Geraldo Magela (PT) - 13.2%
  4. Rodrigo Rollemberg (PSB) - 12.1%
  5. Tadeu Filippelli (PMDB) - 12%
  6. Robson Rodovalho (DEM) - 11.1%
  7. Junior Brunelli (PSC) - 9.6%
  8. Luiz Estevão (PTC) - 9.4%
  9. Chico Leite (PT) - 8.1%
  10. Jofran Frejat (PR) - 6.4%
  11. Adelmir Santana (DEM) - 3.2%
Fora Cristovam Buarque e Paulo Octávio, o candidato mais forte é Magela. Possui um partido com estrutura, possui bom nível recall, apoio do presidente Lula e é relator do orçamento, ganhando muita visibilidade por conta disso.

Filippelli tem o desafio de enfrentar sua primeira eleição sem a tutela/apoio de Roriz. Tenho minhas dúvidas e acho que o rompimento com seu "criador" cobrará seu preço...

Rodovalho e Brunelli possuem o mesmo problema: o desafio de eleger um evangélico para um cargo majoritário no DF.

Adelmir tem dinheiro. Mas nenhuma experiência eleitoral. O melhor, para ele, seria entender que descer do Senado para a Câmara Federal ou Distrital não é nenhum demérito.

Os outros são especulação.

20 outubro 2009

A evolução do eleitorado do DF!

Análise rápida!

O perfil do eleitorado do DF mudou radicalmente nos últimos dez anos. Dados do IBGE mostram o crescimento do nível de renda, reduzindo a classe E a menos de 10% da população (ver tabela). Em termos políticos, o que isso quer dizer?

O aumento do nível de renda provoca o crescimento de vários outros indicadores, como educação, acesso aos serv. públicos, informação política, jornais, etc...


DF

Brasil

1993

2008

1993

2008

Classe AB

17,1

26,5

5,9

10,4

Classe C

38,7

45,9

31

49,2

Classe D

24,5

18,2

28

24,4

Classe E

19,8

9,36

35

16



Combinadas, essas variáveis aumentam o nível de sofisticação política da população. O debate é enriquecido e as pessoas tornam-se mais previsíveis no que se refere às suas escolhas eleitorais. Há menos espaço para o clientelismo e para o personalismo.

Entretanto, isso não significa que essas práticas estão abolidas do cenário eleitoral do DF. Elas permanecerão durante algum tempo, especialmente porquê as pessoas que ascenderam socialmente ainda guardam uma memória dos padrões de comportamento político adquiridos em suas antigas classes sociais.

Portanto, as mudanças acontecerão lentamente, obedecendo a dinâmica das gerações.

Nota de rodapé:
Critérios de renda adotados pelo IBGE:

Classe AB: renda familiar maior que R$ 4.807

Classe C: renda familiar entre R$ 1.115 e R$ 4.807

Classe D: renda familiar entre R$ 768 e R$ 1.115

Classe E: renda familiar menor que R$ 768

19 outubro 2009

Como usar a internet em campanhas políticas?


Análise rápida

O maior problema no que se refere ao uso da internet no Brasil é a ausência de casos de sucesso nos quais possamos nos referenciar. O exemplo de Obama está muito distante de nós. A começar pela parcela da população que acessa a rede nos EUA (mais de 90%) e no Brasil (cerca de 23%).

Na campanha de Obama, o principal uso da internet foi para a arrecadação de contribuições financeiras de pessoas físicas. No Brasil, não possuímos essa prática e o nível de confiança da população nos políticos (entre 10% e 20%) sinaliza que as pessoas não estão estimuladas para darem dinheiro aos seus candidatos favoritos.

Entretanto, devemos ficar atentos para as dicas de uso das ferramentas on-line, especialmente aquelas que gerenciam redes sociais, como o Twitter, o Facebook e o Orkut.

O que parece claro é que esses sites estão sendo utilizados para criar redes de eleitores baseados unicamente pela amizade social/simpatia. Entretanto, esse caminho, essencialmente personalista, está equivocado. Sua abrangência continua sendo muito limitada às pessoas que JÁ simpatizam com o político.

O desafio é COMO ATRAIR NOVAS PESSOAS PARA ESSA COMUNIDADE.

Em entrevista à revista Veja, Biz Stone, um dos criadores da rede Twitter dá uma dica interessante:

O que desperta maior interesse são os assuntos relacionados à comunidade em que o usuário está inserido. Observamos que muita gente busca informações sobre seu microcosmo. Nossa ferramenta se tornou uma maneira de alguém se conectar imediatamente com pessoas que estão passando ou que passaram por uma mesma situação. Dessa forma, o que mais movimenta o Twitter não é um tipo de post ou um post específico, mas o conjunto de muitos posts sobre uma enormidade de temas.
A forma mais eficiente de ter muitos seguidores é "tuitar" informações úteis e de interesse para o maior número de pessoas que compartilham determinado perfil. Nem sempre é preciso ser algo inédito.

Ou seja, é bom que os candidatos criem redes de assuntos/problemas que a comunidade deseja resolver. Outro uso possível do Twitter é identificar, a partir das comunidades que os internautas participam, quais são os problemas mais importantes para eles e, a partir daí, traçar estratégias adequadas.

O uso da internet em campanha é muito mais complicado do que parece...

14 outubro 2009

Dica de site!

Ótima dica de site!

Prezados,

Gostaria de convida-los, interessados e/ou curiosos, a visitar
www.CongressoAberto.com.br. Trata-se do piloto de um projeto desenvolvido por Eduardo Leoni e por mim, com o objetivo de sistematizar, analisar e apresentar dados sobre o Congresso Nacional em formatos acessíveis ao público. Todos os dados provém de fontes públicas, mas o site adiciona valor por atualizá-los automaticamente todos os dias, permitir downloads em formatos úteis para análise (apenas paricalmente implementado), e por privilegiar a apresentação visual dos dados. O projeto está apenas iniciando, portanto comentários e sugestões são bem-vindos, seja diretamente no site (funciona como blog), seja por email para admin@congressoaberto.com.br.

Cesar Zucco

13 outubro 2009

A estratégia K!

Seguem segmentos de análise feitas sobre a antecipação das eleições parlamentares na Argentina (extraídos do blog do César Maia).

Os Kirchner anteciparam as eleições parlamentares. Muitos pensaram se tratar de usar a curva do desgaste a seu favor. Outros diziam que jogavam as fichas numa eleição plebiscitária. No final não foi nada disso. Foi muito pior.

Com a antecipação da eleição para junho, e a posse dos novos deputados e senadores só em dezembro, haveria tempo de aprovar leis autoritárias neste intervalo. E assim foi. Primeiro, a lei delegada (dando poderes adicionais a K) foi prorrogada. E agora a lei de controle dos meios de comunicação.

Líderes da oposição argentina anunciaram que pretendem mudar a lei de radiodifusão aprovada pelos aliados do governo da presidente Cristina Kirchner. O plano é alterar vários pontos polêmicos do pacote conhecido como "lei da mídia", a partir do dia 10 de dezembro, quando novos senadores e deputados assumem seus cargos, revertendo a maioria que o governo detém atualmente na Câmara e no Senado.

Ou seja: o casal K, ao antecipar as eleições e estabelecendo um gap entre o fim de uma legislatura e o início da outra, criou condições favoráveis para a aprovação de medidas impopulares. Quem está eleito pode votar sem medo, pois sua permanência está garantida... Quem não se reelegeu pode votar tranquilamente, pois não há mais nada a perder...

08 outubro 2009

Eleições no DF!

Números do IBOPE para as eleições de governador - Distrito Federal:



1.Arruda 44%

2.Roriz 33% 

3. Agnelo 9%

07 outubro 2009

A difícil tarefa de votar...!

NÚMERO DO PARTIDO É FUNDAMENTAL PARA ELEGER MAIS DEPUTADOS! (por César Maia - www.cesarmaia.com.br)
              
1. No Brasil, o eleitor vota no número dos partidos. Sempre que um partido tem um candidato majoritário competitivo, seu número ganha destaque. Quando a eleição é para presidente e governador, se isso ocorre nos dois níveis, há algum efeito acumulador. O importante é que o efeito da memorização do número é maior no candidato a governador. O tempo do governador é o mesmo do presidente e a visibilidade da publicidade do número do governador é bem maior. Sendo competitivo, ainda mais.                

2. Em geral, os partidos fortes e com candidatos a governador competitivos ganham duplamente o voto de legenda para seus deputados. Num dia entram primeiro na TV os deputados federais, no outro os deputados estaduais.  Com um número de maior força para governador, os votos de legenda crescem. Isso se verifica claramente acompanhando os votos de legenda dos partidos fortes e competitivos em cada estado.
              
3. Mas há outro fenômeno. Uma parte do eleitorado quando chega para votar, tem o número do majoritário na cabeça. Quando abre a tela, ele marca esse número e confirma. E então aparece o voto para governador ou presidente, e ele marca outra vez o mesmo número. Ou seja, uma parte do voto de legenda é na verdade um voto equivocado na tela que seria para votar em deputado. O eleitor queria votar no governador.
              
4. Um dos subprodutos disso é a perda de votos dos partidos de menor força, competitividade e visibilidade. Seus deputados dobram com deputados de um partido mais forte coligado que podem apoiar suas campanhas. E destacam o candidato majoritário, que, para isso, ajuda com panfletos e placas. Na hora de votar, parte do eleitorado vota para deputado no número do majoritário, e, assim, na legenda do partido coligado e não do partido menor. O partido pequeno nunca coliga na proporcional com partido grande, o que poderia ser uma saída. E por isso quase sempre perde legendas.
              
5. Isso ocorre também no caso de um partido forte que apoia o candidato a governador/presidente de outro partido forte. Aí são duas situações. Quando coliga para deputado, o efeito legenda equivocada é neutralizado. Mas quando coliga na majoritária e não na proporcional, seus deputados fazendo campanha para o governador de outro número, terminam dando legenda a este outro partido, ajudando a eleger deputados do partido coligado pelo número da majoritária (e não do seu na  proporcional). Portanto, a lógica da coligação -só na majoritária- tira legenda de deputado de um partido coligado. A menos que também se coliguem em "cima e embaixo".

06 outubro 2009

Lula e o PMDB: casamento marcado!

Análise rápida...

A filiação de Henrique Meirelles ao PMDB é um importante sinal da aproximação entre a legenda e a pré candidatura de Dilma Rousseff.

A escolha foi orientada  por Lula e demonstra sua confiança na permanência do PMDB no seu projeto de continuidade política. O presidente é o principal articulador dessa aliança e sua intervenção é considerada vital para o seu sucesso, dado que PT e PMDB encontram-se em posições distintas em muitos estados.

Atualmente, há disputas diretas entre as duas legendas em pelo menos quatro estados (BA, PR, RJ e PA). Também existem “sabotadores”declarados, como o ex-governador Orestes Quércia, que já antecipou seu apoio a Serra, independente da decisão que seu partido tomar. Portanto, é possível que a sustentação dada diretório nacional do PMDB à Dilma não seja encontrada em várias unidades sub-nacionais.

A aliança PT-PMDB não acontecerá naturalmente na maioria dos estados e só se concretizará se for imposta de cima para baixo. Essa operação envolve riscos, especialmente para o PT, que terá que dividir a capacidade de transferência de votos detida por Lula com outras legendas.

Entretanto, a parceria continua sendo muito atraente e deverá ser buscada até o último momento por Lula, pois garantiria os 3 minutos e 12 segundos de horário eleitoral gratuito do PMDB para a chapa de Dilma. 

05 outubro 2009

As estratégias do PV!

Análise rápida

A filiação de Guilherme Leal, presidente da Natura, ao PV gerou especulações sobre a intenção de lançá-lo como vice na chapa presidencial de Marina Silva. A idéia pode vingar, dado que o papel do vice é complementar e compensar eventuais desconfianças e/ou falhas encontradas no candidato principal.

Acredita-se que o empresário serviria para acalmar setores que temem que Marina se comporte como uma “verde radical. Leal assumiria papel semelhante ao que José Alencar exercera para Lula em 2002. Naquela ocasião, Alencar representava a aliança entre o trabalho e o capital.  Nesse caso, Leal sinalizaria a possibilidade de coexistência entre o conservacionismo ambiental e o desenvolvimento econômico.

Em um outro front, no sentido de fortalecer sua própria candidatura presidencial, Marina Silva defendeu ontem que o partido faça alianças estratégicas, mas que também lance candidaturas próprias na maior quantidade de estados possíveis.

A tática é semelhante à que foi utilizada pela ex-candidata à presidência pelo PSOL, Heloísa Helena. Por um lado, a Heloísa Helena conseguiu um desempenho pessoal excepcional, alcançando a terceira posição com quase 7% dos votos. Entretanto, houve um alto custo para o partido, que elegeu apenas três deputados estaduais e  três deputados federais.

Nas eleições municipais subseqüentes, repetiu-se a tática da candidatura própria na maior quantidade de cidades que conseguisse. Novo fracasso. O PSOL não conquistou nenhuma prefeitura e elegeu apenas 25 vereadores em todo o país, quase decretando do fim do partido.

Nenhuma legenda pode ignorar o papel das coligações para seu sucesso e sobrevivência eleitoral. Caso o PV caminhe nessa direção, suas chances de crescimento no mercado político brasileiro diminuirão significativamente.