23 outubro 2009

Lula como vice de Dilma?

Eleição presidencial: o roteiro está traçado, por Antônio Augusto de Queiroz*

“Se a oposição optar por uma chapa pura e contar com o apoio do DEM, do PPS e parcela expressiva do PMDB, poderá surgir o grande fato novo: Lula renunciar e concorrer a vice de Dilma. Isto, claro, se a lei permitir”

O governo quer uma eleição plebiscitária (fará comparação entre os mandatos presidenciais de Lula e FHC), e a oposição deseja um pleito voltado para debater o futuro, o pós-Lula. 2010 começou mais cedo e promete muita emoção.

Na linha plebiscitária, serão atribuídas ao presidente Lula algumas conquistas – como a superação da crise, a descoberta e o marco regulatório do pré-sal, a consolidação dos programas sociais, a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil e as Olimpíadas em 2016 no Rio de Janeiro – que serão reforçadas pela exibição, em grande escala, do filme Lula, o filho do Brasil.

Os fiadores do governo Lula, que poderão dar caráter plebiscitário ao pleito e favorecer a candidata oficial, são: o próprio Lula, cuja aprovação supera os 70%; a capilaridade dos programas sociais, ilustrada pelo Bolsa-Família, que já beneficia 49 milhões de pessoas, distribuídas em 12,4 milhões de famílias; a economia, que estará gerando emprego no ano da eleição; e o apoio oficial do PMDB, além de outros partidos de médio porte.

Já a estratégia da oposição passa por insistir no fato de que o candidato não é Lula nem o governante será ele, enfatizando que a candidata é Dilma e que o governo será dela. E sobre ela, em caráter acusatório, dirão que pouco se sabe, exceto sua condição de ex-guerrilheira, de fazedora de dossiê contra adversários e de pessoa arrogante e autoritária.

Além disso, ainda em relação a Dilma, irão questionar sua história, seus projetos, sua capacidade de exercer as funções de chefe de governo, chefe de Estado e líder da nação. No que diz respeito ao governo, conforme já antecipou o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), afirmarão que desde 2009 não existe governo, mas a campanha de Dilma; não há obras a inaugurar, mas sim festa; nem discurso governamental ou administrativo, mas eleitoral.

O surgimento das pré-candidaturas de Ciro Gomes, pelo PSB, e de Marina Silva, pelo PV, se prevalecer esse padrão de disputa, dificilmente terão fôlego para evitar a polarização entre PT e PSDB ou entre a candidata do governo e o candidato da oposição.

É verdade que a população não está plenamente satisfeita com o PT (embora goste muito do presidente Lula), nem tem saudades do PSDB, o que teoricamente abriria espaço para uma terceira via, mas dificilmente Ciro ou Marina, caso confirmem as candidaturas, teriam mais votos que um dos candidatos da oposição ou da situação.

Três coisas são determinantes numa eleição: o tempo de televisão, palanques fortes nos estados e dinheiro para a campanha. E os candidatos do PT e do PSDB as terão em abundância, enquanto Ciro e Marinha são frágeis nesses quesitos.

Assim, de modo mais abrangente, o resultado da eleição presidencial de 2010 dependerá:
a) Para o governo, do desempenho da economia, dos programas sociais, das obras do PAC, da unidade da base de apoio, do caráter plebiscitário ou não da eleição, da capacidade do presidente de transferir votos, e também do desempenho pessoal da candidata.
b) Para a oposição, do estrago da crise, da desunião da base aliada do governo, de quem será o cabeça de chapa, do caráter não plebiscitário do pleito, da avaliação do desempenho dos governos dos estados de São Paulo e Minas Gerais, do apoio do DEM e do PPS e, principalmente, da aliança entre Serra e Aécio, além da capacidade de atrair apoio de parcela do PMDB.

A oposição não definiu ainda seu candidato. Os nomes são os dos governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves. Se o critério for o desempenho nas pesquisas eleitorais, Serra será o candidato. Se o critério for a capacidade de fazer alianças e penetrar em Estados dominados por Lula, como os do Nordeste, será Aécio.

Entretanto, se a oposição fizer a opção por uma chapa pura (Serra e Aécio ou Aécio e Serra), e contar com o apoio do DEM e do PPS, além de parcela expressiva do PMDB, poderá surgir o grande fato novo da campanha: Lula renunciar e concorrer a vice de Dilma. Isso naturalmente, se a legislação permitir.

(*) Jornalista, analista político e diretor de documentação do Diap.

22 outubro 2009

Corrida para o Senado e suas implicações!

Análise Rápida

O favorito ao Senado é Cristovam Buarque. Paulo Octávio também. Entretanto, voltar ao legislativo não é sua primeira opção. Caso ele abra mão da vice-governadoria, pode perder o controle da sucessão de Arruda (em 2014, caso o atual governador seja eleito). Explica-se: em 2014, Arruda teria que deixar o cargo seis meses antes da eleição para disputar algum outro cargo eletivo. Logo, seu vice se tornará candidato natural, dado que possuirá a vantagem estratégica de controlar a máquina.

Filippelli sabe disso. E condiciona o apoio do PMDB à vaga de vice e coloca Paulo Octávio em uma encruzilhada. Por um lado, a adesão do PMDB aumenta significativamente o tempo de TV de Arruda. Por outro, dificulta o caminho de Octávio para o Buriti (será que ele aceitará ir para o sacrifício?)
  1. Cristovam Buarque (PDT) - 27.1%
  2. Paulo Octávio (DEM) - 23.2%
  3. Geraldo Magela (PT) - 13.2%
  4. Rodrigo Rollemberg (PSB) - 12.1%
  5. Tadeu Filippelli (PMDB) - 12%
  6. Robson Rodovalho (DEM) - 11.1%
  7. Junior Brunelli (PSC) - 9.6%
  8. Luiz Estevão (PTC) - 9.4%
  9. Chico Leite (PT) - 8.1%
  10. Jofran Frejat (PR) - 6.4%
  11. Adelmir Santana (DEM) - 3.2%
Fora Cristovam Buarque e Paulo Octávio, o candidato mais forte é Magela. Possui um partido com estrutura, possui bom nível recall, apoio do presidente Lula e é relator do orçamento, ganhando muita visibilidade por conta disso.

Filippelli tem o desafio de enfrentar sua primeira eleição sem a tutela/apoio de Roriz. Tenho minhas dúvidas e acho que o rompimento com seu "criador" cobrará seu preço...

Rodovalho e Brunelli possuem o mesmo problema: o desafio de eleger um evangélico para um cargo majoritário no DF.

Adelmir tem dinheiro. Mas nenhuma experiência eleitoral. O melhor, para ele, seria entender que descer do Senado para a Câmara Federal ou Distrital não é nenhum demérito.

Os outros são especulação.

20 outubro 2009

A evolução do eleitorado do DF!

Análise rápida!

O perfil do eleitorado do DF mudou radicalmente nos últimos dez anos. Dados do IBGE mostram o crescimento do nível de renda, reduzindo a classe E a menos de 10% da população (ver tabela). Em termos políticos, o que isso quer dizer?

O aumento do nível de renda provoca o crescimento de vários outros indicadores, como educação, acesso aos serv. públicos, informação política, jornais, etc...


DF

Brasil

1993

2008

1993

2008

Classe AB

17,1

26,5

5,9

10,4

Classe C

38,7

45,9

31

49,2

Classe D

24,5

18,2

28

24,4

Classe E

19,8

9,36

35

16



Combinadas, essas variáveis aumentam o nível de sofisticação política da população. O debate é enriquecido e as pessoas tornam-se mais previsíveis no que se refere às suas escolhas eleitorais. Há menos espaço para o clientelismo e para o personalismo.

Entretanto, isso não significa que essas práticas estão abolidas do cenário eleitoral do DF. Elas permanecerão durante algum tempo, especialmente porquê as pessoas que ascenderam socialmente ainda guardam uma memória dos padrões de comportamento político adquiridos em suas antigas classes sociais.

Portanto, as mudanças acontecerão lentamente, obedecendo a dinâmica das gerações.

Nota de rodapé:
Critérios de renda adotados pelo IBGE:

Classe AB: renda familiar maior que R$ 4.807

Classe C: renda familiar entre R$ 1.115 e R$ 4.807

Classe D: renda familiar entre R$ 768 e R$ 1.115

Classe E: renda familiar menor que R$ 768

19 outubro 2009

Como usar a internet em campanhas políticas?


Análise rápida

O maior problema no que se refere ao uso da internet no Brasil é a ausência de casos de sucesso nos quais possamos nos referenciar. O exemplo de Obama está muito distante de nós. A começar pela parcela da população que acessa a rede nos EUA (mais de 90%) e no Brasil (cerca de 23%).

Na campanha de Obama, o principal uso da internet foi para a arrecadação de contribuições financeiras de pessoas físicas. No Brasil, não possuímos essa prática e o nível de confiança da população nos políticos (entre 10% e 20%) sinaliza que as pessoas não estão estimuladas para darem dinheiro aos seus candidatos favoritos.

Entretanto, devemos ficar atentos para as dicas de uso das ferramentas on-line, especialmente aquelas que gerenciam redes sociais, como o Twitter, o Facebook e o Orkut.

O que parece claro é que esses sites estão sendo utilizados para criar redes de eleitores baseados unicamente pela amizade social/simpatia. Entretanto, esse caminho, essencialmente personalista, está equivocado. Sua abrangência continua sendo muito limitada às pessoas que JÁ simpatizam com o político.

O desafio é COMO ATRAIR NOVAS PESSOAS PARA ESSA COMUNIDADE.

Em entrevista à revista Veja, Biz Stone, um dos criadores da rede Twitter dá uma dica interessante:

O que desperta maior interesse são os assuntos relacionados à comunidade em que o usuário está inserido. Observamos que muita gente busca informações sobre seu microcosmo. Nossa ferramenta se tornou uma maneira de alguém se conectar imediatamente com pessoas que estão passando ou que passaram por uma mesma situação. Dessa forma, o que mais movimenta o Twitter não é um tipo de post ou um post específico, mas o conjunto de muitos posts sobre uma enormidade de temas.
A forma mais eficiente de ter muitos seguidores é "tuitar" informações úteis e de interesse para o maior número de pessoas que compartilham determinado perfil. Nem sempre é preciso ser algo inédito.

Ou seja, é bom que os candidatos criem redes de assuntos/problemas que a comunidade deseja resolver. Outro uso possível do Twitter é identificar, a partir das comunidades que os internautas participam, quais são os problemas mais importantes para eles e, a partir daí, traçar estratégias adequadas.

O uso da internet em campanha é muito mais complicado do que parece...

14 outubro 2009

Dica de site!

Ótima dica de site!

Prezados,

Gostaria de convida-los, interessados e/ou curiosos, a visitar
www.CongressoAberto.com.br. Trata-se do piloto de um projeto desenvolvido por Eduardo Leoni e por mim, com o objetivo de sistematizar, analisar e apresentar dados sobre o Congresso Nacional em formatos acessíveis ao público. Todos os dados provém de fontes públicas, mas o site adiciona valor por atualizá-los automaticamente todos os dias, permitir downloads em formatos úteis para análise (apenas paricalmente implementado), e por privilegiar a apresentação visual dos dados. O projeto está apenas iniciando, portanto comentários e sugestões são bem-vindos, seja diretamente no site (funciona como blog), seja por email para admin@congressoaberto.com.br.

Cesar Zucco

13 outubro 2009

A estratégia K!

Seguem segmentos de análise feitas sobre a antecipação das eleições parlamentares na Argentina (extraídos do blog do César Maia).

Os Kirchner anteciparam as eleições parlamentares. Muitos pensaram se tratar de usar a curva do desgaste a seu favor. Outros diziam que jogavam as fichas numa eleição plebiscitária. No final não foi nada disso. Foi muito pior.

Com a antecipação da eleição para junho, e a posse dos novos deputados e senadores só em dezembro, haveria tempo de aprovar leis autoritárias neste intervalo. E assim foi. Primeiro, a lei delegada (dando poderes adicionais a K) foi prorrogada. E agora a lei de controle dos meios de comunicação.

Líderes da oposição argentina anunciaram que pretendem mudar a lei de radiodifusão aprovada pelos aliados do governo da presidente Cristina Kirchner. O plano é alterar vários pontos polêmicos do pacote conhecido como "lei da mídia", a partir do dia 10 de dezembro, quando novos senadores e deputados assumem seus cargos, revertendo a maioria que o governo detém atualmente na Câmara e no Senado.

Ou seja: o casal K, ao antecipar as eleições e estabelecendo um gap entre o fim de uma legislatura e o início da outra, criou condições favoráveis para a aprovação de medidas impopulares. Quem está eleito pode votar sem medo, pois sua permanência está garantida... Quem não se reelegeu pode votar tranquilamente, pois não há mais nada a perder...

08 outubro 2009

Eleições no DF!

Números do IBOPE para as eleições de governador - Distrito Federal:



1.Arruda 44%

2.Roriz 33% 

3. Agnelo 9%

07 outubro 2009

A difícil tarefa de votar...!

NÚMERO DO PARTIDO É FUNDAMENTAL PARA ELEGER MAIS DEPUTADOS! (por César Maia - www.cesarmaia.com.br)
              
1. No Brasil, o eleitor vota no número dos partidos. Sempre que um partido tem um candidato majoritário competitivo, seu número ganha destaque. Quando a eleição é para presidente e governador, se isso ocorre nos dois níveis, há algum efeito acumulador. O importante é que o efeito da memorização do número é maior no candidato a governador. O tempo do governador é o mesmo do presidente e a visibilidade da publicidade do número do governador é bem maior. Sendo competitivo, ainda mais.                

2. Em geral, os partidos fortes e com candidatos a governador competitivos ganham duplamente o voto de legenda para seus deputados. Num dia entram primeiro na TV os deputados federais, no outro os deputados estaduais.  Com um número de maior força para governador, os votos de legenda crescem. Isso se verifica claramente acompanhando os votos de legenda dos partidos fortes e competitivos em cada estado.
              
3. Mas há outro fenômeno. Uma parte do eleitorado quando chega para votar, tem o número do majoritário na cabeça. Quando abre a tela, ele marca esse número e confirma. E então aparece o voto para governador ou presidente, e ele marca outra vez o mesmo número. Ou seja, uma parte do voto de legenda é na verdade um voto equivocado na tela que seria para votar em deputado. O eleitor queria votar no governador.
              
4. Um dos subprodutos disso é a perda de votos dos partidos de menor força, competitividade e visibilidade. Seus deputados dobram com deputados de um partido mais forte coligado que podem apoiar suas campanhas. E destacam o candidato majoritário, que, para isso, ajuda com panfletos e placas. Na hora de votar, parte do eleitorado vota para deputado no número do majoritário, e, assim, na legenda do partido coligado e não do partido menor. O partido pequeno nunca coliga na proporcional com partido grande, o que poderia ser uma saída. E por isso quase sempre perde legendas.
              
5. Isso ocorre também no caso de um partido forte que apoia o candidato a governador/presidente de outro partido forte. Aí são duas situações. Quando coliga para deputado, o efeito legenda equivocada é neutralizado. Mas quando coliga na majoritária e não na proporcional, seus deputados fazendo campanha para o governador de outro número, terminam dando legenda a este outro partido, ajudando a eleger deputados do partido coligado pelo número da majoritária (e não do seu na  proporcional). Portanto, a lógica da coligação -só na majoritária- tira legenda de deputado de um partido coligado. A menos que também se coliguem em "cima e embaixo".

06 outubro 2009

Lula e o PMDB: casamento marcado!

Análise rápida...

A filiação de Henrique Meirelles ao PMDB é um importante sinal da aproximação entre a legenda e a pré candidatura de Dilma Rousseff.

A escolha foi orientada  por Lula e demonstra sua confiança na permanência do PMDB no seu projeto de continuidade política. O presidente é o principal articulador dessa aliança e sua intervenção é considerada vital para o seu sucesso, dado que PT e PMDB encontram-se em posições distintas em muitos estados.

Atualmente, há disputas diretas entre as duas legendas em pelo menos quatro estados (BA, PR, RJ e PA). Também existem “sabotadores”declarados, como o ex-governador Orestes Quércia, que já antecipou seu apoio a Serra, independente da decisão que seu partido tomar. Portanto, é possível que a sustentação dada diretório nacional do PMDB à Dilma não seja encontrada em várias unidades sub-nacionais.

A aliança PT-PMDB não acontecerá naturalmente na maioria dos estados e só se concretizará se for imposta de cima para baixo. Essa operação envolve riscos, especialmente para o PT, que terá que dividir a capacidade de transferência de votos detida por Lula com outras legendas.

Entretanto, a parceria continua sendo muito atraente e deverá ser buscada até o último momento por Lula, pois garantiria os 3 minutos e 12 segundos de horário eleitoral gratuito do PMDB para a chapa de Dilma. 

05 outubro 2009

As estratégias do PV!

Análise rápida

A filiação de Guilherme Leal, presidente da Natura, ao PV gerou especulações sobre a intenção de lançá-lo como vice na chapa presidencial de Marina Silva. A idéia pode vingar, dado que o papel do vice é complementar e compensar eventuais desconfianças e/ou falhas encontradas no candidato principal.

Acredita-se que o empresário serviria para acalmar setores que temem que Marina se comporte como uma “verde radical. Leal assumiria papel semelhante ao que José Alencar exercera para Lula em 2002. Naquela ocasião, Alencar representava a aliança entre o trabalho e o capital.  Nesse caso, Leal sinalizaria a possibilidade de coexistência entre o conservacionismo ambiental e o desenvolvimento econômico.

Em um outro front, no sentido de fortalecer sua própria candidatura presidencial, Marina Silva defendeu ontem que o partido faça alianças estratégicas, mas que também lance candidaturas próprias na maior quantidade de estados possíveis.

A tática é semelhante à que foi utilizada pela ex-candidata à presidência pelo PSOL, Heloísa Helena. Por um lado, a Heloísa Helena conseguiu um desempenho pessoal excepcional, alcançando a terceira posição com quase 7% dos votos. Entretanto, houve um alto custo para o partido, que elegeu apenas três deputados estaduais e  três deputados federais.

Nas eleições municipais subseqüentes, repetiu-se a tática da candidatura própria na maior quantidade de cidades que conseguisse. Novo fracasso. O PSOL não conquistou nenhuma prefeitura e elegeu apenas 25 vereadores em todo o país, quase decretando do fim do partido.

Nenhuma legenda pode ignorar o papel das coligações para seu sucesso e sobrevivência eleitoral. Caso o PV caminhe nessa direção, suas chances de crescimento no mercado político brasileiro diminuirão significativamente. 

30 setembro 2009

Experimentalismo democrático!

Hoje pela manhã, a CBN nacional veiculou uma entrevista com o presidente da associação comercial de Porto de Galinhas, destino turístico do litoral sul de Pernambuco, sobre a vontade da população local de emancipar a vila e ganhar status de município (atualmente, Porto de Galinhas é um bairro da cidade de Ipojuca).

Até aí, nenhuma novidade. Entretanto, a criação da nova cidade é acompanhada de uma proposta inusitada: os vereadores trabalhariam voluntariamente! O fato merece destaque, pois é um sinal do desenvolvimento de um cultura política cívica e democrática no país.

Sem querer, o entrevistado (que não me lembro o nome, mas vou procurar...) lançou duas questões interessantes. A primeira é a autonomia dos municípios para adotarem as formas administrativas que desejarem. Atualmente, essa possibilidade não existe. No caso de Porto de Galinhas, a constituição federal vedaria a iniciativa. Será que não seria o caso de revisar a Carta Magna para conferir mais independência aos municípios, permitindo uma criatividade administrativa e um experimentalismo democrático maior?

A segunda questão se refere ao trabalho do vereador. Não se trata de questionar sua importância para a administração municipal, mas dos métodos de escolha dos ocupantes do legislativo local e do seu custo. Por exemplo, por quê não criar a figura do vereador voluntário e escolhido por sorteio? Sabemos que o nível de complexidade dos problemas enfrentados pelas pequenas cidades brasileiras não é tão alto. Também sabemos que existem milhares de pessoas bem intencionadas e bem preparadas, dispostas a ajudar, mas que não topam ou não possuem condições financeiras para enfrentarem uma eleição. Portanto, o sorteio seria uma ótima opção para poder renovar as câmaras locais com baixíssimo custo.

São idéias que temos obrigação de ter. O que vocês acham?

28 setembro 2009

Entrevista com Ben Self, um dos responsáveis pela campanha eletrônica de Obama!

Trechos de uma entrevista publicada originalmente no portal TERRA. 

Você tem diploma do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e é, na realidade, um especialista em tecnologia. Como se envolveu com campanhas políticas?


O meu background é em ciência da computação e tenho diplomas de graduação e pós-graduação do MIT. Depois de me formar, trabalhei por muitos anos como especialista em tecnologia para bancos, seguradoras e grupos afins. Em 2003, me mudei para o Estado de Vermont para trabalhar na campanha presidencial de Howard Dean. Após isso, eu e três colegas fundamos a Blue State Digital, uma empresa especializada em tecnologia e política. Agora, somos uma empresa internacional com mais de 100 funcionários no mundo inteiro e servimos centenas de clientes.

Você acha que, atualmente, a internet é uma ferramenta fundamental para uma campanha eleitoral ter sucesso?


Não existe um candidato que pense em lançar uma campanha sem usar a internet. É a marca de um candidato sério, bem como uma ferramenta importante. Sem ela, é como participar de uma batalha sem ter uma arma. Como você poderia fazer isso? Portanto, acho que é importante que os candidatos usem a internet para que tenham uma campanha eficaz.

Você foi contratado pelo PT?


Sim, estamos trabalhando com o partido.

Quando a campanha de Dilma Rousseff deve ter início na internet?
Não vou discutir a estratégia em geral. Não seria inteligente fazer isso neste momento. 

No Brasil, as pessoas não têm tanto acesso a computadores quanto nos EUA. Uma campanha com base na internet seria ainda assim eficiente?


Claro que sim. Há milhões de pessoas no Brasil - acho que cerca de 60 milhões de pessoas - que têm acesso à internet. E quando você usa a internet, ela não é usada somente para convencer as pessoas, mas para incentivar quem apoia o candidato a ajudá-lo a ganhar a eleição. Mesmo se nem todas as pessoas têm acesso à internet, você pode usá-la para localizar seus simpatizantes que podem, então, falar com as pessoas que não têm acesso à internet. Tem mais a ver com engajar as pessoas do que com convencer as pessoas.

Você acha que será preciso que fique baseado no Brasil para conduzir a campanha ou pode fazer isso dos EUA?


Isso ainda tem de ser determinado. Eu certamente gostei da minha estada no Brasil e retornarei ao país em algumas semanas.

Será preciso adaptar suas técnicas de campanha à realidade brasileira?
Trabalhamos com diversos países. Cada um tem tópicos diferentes que devem ser empregados. Mas os aspectos básicos, como desenvolver relacionamentos transparentes e verdadeiros com as pessoas, fazem parte da natureza humana. Eles são iguais em todos os lugares.

25 setembro 2009

Ainda sobre política e internet...!

Análise rápida...

Dados do PNAD divulgados nessa semana pelo IBGE mostram que 45% das casas do DF contam com acesso à internet (a média nacional é de 23%).

Para os candidatos que desejam utilizar a rede para fazer campanha eleitoral, essa é uma ótima notícia. Há um volume bom de eleitores conectados, número suficiente para compensar o investimento.

Entretanto, é bom ressaltar que ainda não existe um caso de sucesso no que se refere ao uso da internet nas campanhas brasileiras no qual candidatos e candidatas possam se espelhar. Mesmo o caso Obama não pode ser considerado uma referência (lá a internet serviu essencialmente para arrecadar recursos).

É preciso entender profundamente características da rede e dos internautas para fazer um bom trabalho: interatividade, atualização constante e rápida dos conteúdos, informações curtas e objetivas, layouts atraentes, etc... . 

Ou seja, é bom começar a buscar as pesquisas sobre hábitos dos internautas...
 

24 setembro 2009

Nova geração de partidos políticos!

Análise rápida...

O jornal El País publicou matéria interessante sobre política e internet com foco sobre os movimentos políticos que surgiram a partir das inovações trazidas pela rede. 

Um dos mais interessantes é a formação dos PARTIDOS PIRATAS, agremiações políticas que disputam eleições e lutam especialmente por uma nova legislação sobre a liberação de direitos autorais de material veiculado na internet. Algo como "free download"... 

Esses partidos nasceram em vários países europeus, já ganharam uma cadeira no parlamento sueco e reuniram 20.000 pessoas em uma praça pública na Alemanha (veja o cartaz).

A pergunta é: a crise das ideologias políticas e o avanço brutal da globalização e de novas formas de interação social trará uma nova geração de partidos políticos? Parece que sim... suas novas características até aqui são a defesa de temas como conservação ambiental, regulação da internet, interação à partir da rede e caráter transnacional. 

22 setembro 2009

Instabilidade eleitoral...

Análise rápida...

A pesquisa CNI/IBOPE divulgada hoje mostra que o clima eleitoral ainda não contaminou a população, como mostra a volatilidade dos índices de intenção de voto. Não há posições consolidadas e os indicadores dos pré-candidatos variam muito, dependendo do leque de opções que lhes são apresentados. 

A intenção de votos em Ciro Gomes, por exemplo, vai de 14% a 28 %, dependendo de quem concorre pelo PSDB (Serra e Aécio, respectivamente).
  
O contrário acontece no DF. Existe forte polarização entre Arruda e Roriz (um empate técnico em torno de 40%). Os indicadores dos dois não mudam quando os nomes da esquerda são apresentados (Magela ou Agnelo).   

É fácil perceber que a eleição presidencial ainda não está na ordem do dia das pessoas. Portanto, a principal informação que elas apontam é o nível de memória que os brasileiros possuem dos principais nomes à disposição no mercado político.

Memória é condição necessária para impulsionar uma candidatura. Mas não é condição suficiente. Por isso, o quê essas pesquisa medem é viabilidade político/eleitoral dos nomes apresentados. Com o início da campanha, a história passa a ser outra... 

21 setembro 2009

Infidelidade partidária ganha força!

Análise rápida...

A fidelidade partidária imposta pelo TSE engessou o sist. partidário brasileiro. O troca-troca de siglas, que era comum antes da justiça decretar sua ilegalidade, acabou e a promessa feita por alguns deputados e senadores de criarem uma "janela" para que fosse feito um reajuste antes das eleições de 2010 não aconteceu.


Entretanto, vários parlamentares resolveram arriscarem-se e a movimentação está intensa nos diretórios partidários.


A aposta feita pelos "infiéis" é sustentanda em três idéias: i) a jurisprudência da justiça eleitoral tem sido muito favorável ao troca-troca; ii) é posssível que a justiça não resolva tantos casos em tempo hábil e iii) os presidentes de vários partidos estão desistindo de brigar por essas vagas, o quê mobiliza recursos (principalmente, honorários de advogados).


Estima-se que entre 40 e 50 deputados federais possam mudar de time. Entre deputados estauais, esse número é muito maior.


A verdade é que a decisão da fidelidade, por mais simpática que possa parecer, criou uma situação fictícia e irreal para os padrões da política brasileira. O resultado inevitável é essa tensão absoluta entre parlamentares e suas legendas. Além disso, a temporada de trocas colocará a solidez da fidelidade dp TSE em questão... Vale a pena observar como será a reação da justiça!

18 setembro 2009

Pesquisa presidencial (Rio de Janeiro)!

Pesquisa GPP em setembro/2009 com 1.600 entrevistas em todo o Estado do Rio.
                             
Presidente 1:  Serra 26,3% \ Ciro Gomes 18,4% \ Heloísa Helena 14,5% \ Dilma Rousseff 10% \ Marina Silva 8,4%.
                    
Presidente 2:  Serra 28,4% \ Ciro Gomes 22,3% \  Marina Silva 11,8%  \ Dilma Rousseff 11,6%. 

Análise rápida

Deve-se lembrar que o estado do Rio é o principal reduto do PV, que tem Gabeira como principal destaque. Talvez, esse fato explique o desempenho excepcional de Marina. 

Essa é a apenas uma das pesquisas que mostra a estagnação de Dilma. O que isso significa? Por enquanto, nada. Deve-se lembrar que ainda não existe campanha, apenas avaliação do nível de disseminação do seu nome. Entretanto, nos bastidores, esses dados servem para criar um clima de guerra e desconfiança contra Dilma. Ótima oportunidade para observarmos o grau de consolidação da pré-candidata entre seus próprios aliados. Se muitas rachaduras surgirem, a situação pode exigir intervenção direta de Lula.

A ministra espera que a melhora recente da economia implique também no aumento dos seus indicadores. No ano passado, afirmei que o fator mais importante para a eleição de 2010 era o desenrolar da crise internacional. Nesse momento, o vento é favorável à nau petista.  

16 setembro 2009

Avaliação dos brasileiros sobre a corrupção!


Análise rápida

Pesquisa feita pelo Vox Populi (sob encomenda de professores da UFMG) avaliou a percepção dos brasileiros sobre o estado da corrupção. As conclusões mais importantes são:

1.     Quanto maior a renda, maior a percepção sobre o problema e os escândalos de corrupção;

2.     Mais de 70% das pessoas acredita que a corrupção é um problema grave;

3.     A percepção de que a polícia federal tem cometido abusos no combate à corrupção é de 51%;

4.     A população NÃO acredita que a corrupção aumentou no governo Lula, apenas que a investigação passou a ser mais rigorosa.

Ou seja, o combate à corrupção tem todos os elementos para permear a campanha eleitoral do ano que vem. No entanto, não pode ser apropriada por nenhum partido (como o PT fez nas campanhas pré-Lula ou como Alkmin fez em 2006).

A pesquisa completa está na revista Carta Capital dessa semana.

15 setembro 2009

Crise dos partidos na Alemanha!


(El País, 13/09) 1. Nos anos 80, CDU e SPD somavam 80% dos votos. Hoje, apenas 60%. A CDU (União Democrata Cristã de Merkel), favorita nas pesquisas para 27/09, enfrenta o mesmo problema que a SPD (Partido Socialista Democrático): o crescimento dos liberais do FDP (liberal-democratas), dos verdes e da esquerda, o que inviabiliza, sozinhos, o controle do parlamento.
              
2. Programas Eleitorais: CDU: progressiva redução dos impostos. Seus parceiros liberais do FDP propõem um corte mais acentuado. CDU propõe postergar em mais 15 anos a proibição de usinas elétricas nucleares. Alemanha tem 17 usinas. \  SPD: Propõe leve redução aos de renda menor e aumento aos de renda maior e criar um imposto a transações financeiras. Promete converter o país em um Silicon Valley de tecnologias verdes e apoiar a indústria alemã, assim como fazer reformas na saúde e educação.
              
3. O voto é misto e duplo (distrital e em listas). A hipótese de uma grande coalizão outra vez volta a ser falada (CDU-SPD). Se CDU+FDP não alcançarem a maioria, há duas fórmulas com possibilidades: a Semáforo e a Jamaica. A Semáforo agrega o vermelho do SPD, o verde ecologista e o amarelo liberal. A Jamaica, bandeira do país, agrega o preto do CDU, junto ao amarelo liberal e ao verde. A frente de esquerda SPD, Esquerda e Verdes, aparece como ameaça, mas a presença no partido Esquerda do ex-SPD Oskar Lafontaine e dos ex-comunista do lado oriental a inviabiliza.

Informações retiradas do blog do César Maia (www.cesarmaia.com.br)

14 setembro 2009

O adiamento da discussão do pré-sal no Congresso...

 Análise rápida (por André Jácomo, estudante de Ciência Política da UnB)

Estou de acordo com a análise quanto ao posicionamento do Congresso em relação à questão dos royalties do pré-sal: quando o assunto envolve repasse de dinheiro da União aos estados e municípios, o comportamento partidário é colocado em segundo plano.
 
Outro ponto importante: os estados produtores (São Paulo, Rio de Janeiro e Espiríto Santo) representam aproximadamente 26% da Câmara dos Deputados. O suficiente para configurar como um forte componente de poder dentro da casa. A negociação dos royalties traria muito desgaste ao governo Lula, ainda mais em período pré-eleitoral.
 
Nesse sentido, o relator do projeto do sistema de partilha, Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN) incluirá em seu parecer que a discussão sobre a distribuição dos royalties só chegue ao Congresso a partir de 2011.

Ao meu ver, o adiamento desta discussão é boa tanto para a base governista quanto para a oposição, pois evita que o governo Lula tenha um elevado desgaste político com um grupo representativo de parlamentares há menos de um ano antes das eleições, ao mesmo tempo em que Serra fica blindado de "puxar" o debate e se desgastar com os estados que não são produtores, ou seja, a maioria e fortalecer alianças políticas nestes estados.
 
Obrigado, André!

10 setembro 2009

Época de reformar a "casa"...

Análise rápida...

Outubro se aproxima e trás com ele alguns pacotes de mudança nas regras políticas. O congresso se apressa para aprovar tudo antes do dia 4, prazo limite para alterar a legislação aplicável ao pleito de 2010.

De maneira geral, o eleitor não deve sentir muita diferença na hora de votar. A medida mais perceptível será a exigência de apresentação de documento com foto na seção eleitoral.

O que chama mais atenção é a tentativa de regulamentar o uso da internet. O dep. Flávio Dino (PCdoB-MA), relator do projeto na Câmara, afirmou que essa é uma tarefa muito difícil e que a proposta tenta controlar apenas 1% de todo o universo virtual.

 O problema é que o projeto afeta justamente os veículos mais poderosos: portais gigantescos de notícias e informações que compõem parte significativa da grande mídia, aplicando-lhes as mesmas regras que existem para regular TV, rádio e imprensa escrita.

É claro que os grandes veículos não gostaram e vão fazer muito barulho.

Outro setor que começa a ser regulado é o das pesquisas eleitorais. Proposta do senador Crivella (PRB-RJ), aprovada ontem obriga essas empresas a utilizarem os dados estatísticos/populacionais/demográficos divulgados pelo IBGE para poderem calcular suas amostras (alguns preferem utilizar o TSE ou órgãos estaduais de estatística).

O setor de pesquisas precisa muito ser regulamentado. Atualmente, há pesquisa para todos os gostos e humores, vários casos de manipulação de resultados e trabalhos mal feitos para favorecer um ou outro candidato, pautado na expectativa de que pesquisa muda voto.

Entretanto, não sei se obrigar os pesquisadores a utilizar o banco de dados do IBGE é o remédio mais indicado... Por exemplo, no caso do DF, o banco de dados mais apurado é o da CODEPLAN...

Por fim, me surpreendeu o fato da “janela partidária” que permitiria aos parlamentares trocarem de legenda para se reposicionarem para as eleições de 2010 sem risco de perderem seus mandatos não ter sido aberta. Para mim, essa era uma aposta certa. Errei. Prova de quê: 1) os parlamentares ficaram receosos quanto ao peso da opinião pública e 2) os líderes partidários e presidentes de legenda gostaram da medida...

09 setembro 2009

Conheça os candidatos à presidência da Bolívia (clique para ampliar)!


Quem desejar entender um pouco mais da história eleitoral boliviana, vale a pena assistir ao documentário CRISE É O NOSSO NEGÓCIO, de Rachel Boyton...

08 setembro 2009

Pré-sal, acordo Brasil/França e algumas lições sobre o funcionamento do poder...

Análise Rápida

A pauta da semana deve ser tomada pelas discussões sobre o acordo militar Brasil-França e sobre o marco regulatório do pré-sal. Ambos os assuntos estão intimamente interligados e expõem aspectos importantes sobre o funcionamento das organizações de poder no Brasil.

Em primeiro lugar, destaca-se a fragilidade do Congresso Nacional. Os parlamentares praticamente não opinaram sobre as compras de armamento francês. Pelo contrário, permaneceram tão marginalizados quanto no período dos governos militares.

Outro aspecto foi o pronunciamento dado por Lula sobre o pré-sal no domingo. O presidente expôs o modelo desenhado pelo Executivo como um fato consumado, dando a impressão de que os projetos de lei enviados pelo Congresso estivessem lá apenas para serem referendados. O discurso foi compatível com o requerimento de urgência feito ao parlamento para que o marco regulatório seja discutido e aprovado em apenas 90 dias.

Em segundo lugar, o pré-sal está sendo utilizado para justificar os investimentos militares e deu vazão a um discurso com forte conteúdo nacionalista que pode, inclusive, dar o tom da próxima campanha presidencial: nacionalistas (chapa do governo) X entreguistas (PSDB, que conduziu as privatizações e concebeu o modelo de exploração de petróleo que está sendo superado nesse momento).

Em terceiro lugar o acordo militar poderá repercutir fortemente entre os vizinhos do continente, sempre receosos sobre o nascimento do “imperialismo brasileiro”. O ministério das Relações Exteriores terá um trabalho imenso detalhando esse plano, especialmente para os parceiros do MERCOSUL.

Por fim, a disputa dos royalties da exploração do petróleo pode criar um conflito aberto entre os estados (produtores X não produtores). A briga tem potencial para comprometer a dimensão federativa do parlamento. Com brigas entre bancadas, a divisão partidária passará a influenciar menos o comportamento de deputados e senadores, criando um discussão muito parecida com aquela que envolve a reforma tributária (produtores X consumidores).   

03 setembro 2009

Por quê Lula quer o PMDB?

Análise rápida...

Há muitas dificuldades para conciliar PMDB e PT em uma chapa única para a eleição presidencial de 2010: desgaste de uma aliança com políticos tradicionais, dificuldade de construção de chapas em vários estados, prováveis traições (veladas e explícitas), etc...

Mesmo assim, Lula insiste. O motivo? O tempo de TV que cabe ao PMDB, cerca de 3 minutos e 12 segundos. Somando com o tempo reservado ao PT, a chapa chegaria perto dos 7 minutos... uma eternidade!

O plano “A” de Lula é se apropriar desse “latifúndio”televisivo. O plano “B” é evitar que ele caia nas mãos da oposição (PSDB). Para isso, caso uma aliança com o PT seja impossível, tentaria, pelo menos, que o PMDB não se coligasse com ninguém nem lançasse candidato próprio.

Oportunidade!


A Fundação João Pinheiro está realizando pré-qualificação de candidatos a 10 vagas no cargo de Gestor de Ensino e Pesquisa.

 

Podem se candidatar portadores do título de doutor nas áreas de Ciências Humanas (Ciência Política e Sociologia), Ciências Sociais Aplicadas (Administração Pública, Demografia, Economia e Planejamento Urbano e Regional), Estatística e áreas afins. A remuneração é de R$ 7.000,00 (sete mil reais) e o cargo é de recrutamento amplo. A pré-qualificação se baseará em análise de curriculum vitae, a ser realizada por um comitê de especialistas nas áreas mencionadas. 

02 setembro 2009

Um mal que não possui coloração ideológica...

Análise Rápida...

O congresso colombiano aprovou projeto de lei que permite a realização de um plebiscito para decidir se o atual presidente de centro-direita Álvaro Uribe poderá ou não concorrer a um terceiro mandato em 2010. 

Duas coisas chamam a atenção:

1) A imprensa brasileira está totalmente reticente em cobrir o evento, afinal, terá que colocá-lo ao mesmo lado de Chávez e companhia...

2) A reeleição de Uribe mostra a fragilidade institucional da região. Nos últimos anos, Venezuela, Bolívia, Equador, Peru, Colômbia, Brasil (reeleição em 1998) e Honduras tiveram problemas com projetos personalistas de continuidade. 

Enquanto em alguns países a questão da continuidade administrativa está ligada à sucessão entre pessoas do mesmo partido, por aqui o prolongamento de um projeto está ligado à perpetuação de pessoas no poder. 

Esse é o problema de não termos partidos institucionalizados em torno de políticas públicas... 

01 setembro 2009

Dados interessantes sobre o eleitorado do DF!

O Distrito Federal é o berço das decisões políticas e o centro de maior fluxo político do país. O eleitorado brasiliense cresceu e, consequentemente, também o número de emissão de títulos de eleitor. Dados da Assessoria de Planejamento do Tribunal Regional Eleitoral do DF indicam um aumento uniforme no eleitorado do DF, nos últimos anos. 

O público jovem do DF tem exercido seu poder de votar. Nas eleições de 2002 e 2006, cerca de 80% dos jovens entre 16 e 18 anos compareceram em cada um dos pleitos!. Na última eleição, eles representaram 65.513 votantes e apenas 9.634 se abstiveram de comparecer às urnas. O DF é a segunda unidade da federação com maior número de jovens eleitores; perde apenas para o Amapá. Lembrando que nessa faixa etária o voto é facultativo. 

Em 2007, o DF tinha quase 40 mil eleitores analfabetos. Com nível médio, eram mais de 300 mil, e de nível superior completo, 122 mil. Neste ano, os analfabetos diminuíram para 37.830 e de nível superior aumentaram para 136 mil. O número de seções para votação aumentou também. Os votantes, hoje, chegam a 1,7 milhão, e o Tribunal Eleitoral registrou 66.198 novos títulos. Hoje, a cidade tem 4.895 seções distribuídas em 534 locais de votação, entre as 21 zonais eleitorais. Ceilândia é a maior zona eleitoral, com quase 300 mil eleitores. O ideal estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral é que cada seção tenha 400 eleitores.
Fonte : Tribuna do Brasil